domingo, 6 de janeiro de 2019

pensando sobre amor com Kenshin, o andarilho


Eu pensei em começar o blog com um texto falando sobre o The Lobster, filme do Yorgo Lanthimos, que talvez seja a obra recente que melhor trata do quão incompreensível está se tornando o mundo das relações interpessoais para as gerações atuais e vindouras. Trata-se de uma visão que vai ao extremo do que nosso egoísmo e medo do amor (de doar) pode levar a sociedade (o ser humano) a se tornar. Invés disso, resolvi falar sobre o Kenshi Himura, ou Hitokiri Battosai, ou nosso boa praça Samurai X! Pra quem não sabe, Samurai X é uma série (anime) que nasceu de um mangá, e conta a história do Kenshi, o Andarilho. O objetivo da caminhada do espadachim é a expiação pelas "inúmeras mortes que causara durante o Bakumatsu (fim do bakufu/shogunato) quando era um hitokiri (assassino retalhador) a serviço da Ishin Shishi (monarquistas que desejavam a restauração do governo para as mãos do imperador) do feudo de Choushuu". (Wikipedia)

Nas palavras de Kenshin, o que ele quer agora é "usar a espada para ajudar as pessoas". E é isso que ele faz. Eu tava prestando atenção nos episódios que assisti hoje e percebi como Kenshi é genuínamente bondoso - e como fica claro aqui, abondade é uma opção. É alguém que viveu, um ex-assassino (matou muitos em guerras civis) cuja fé na política dos homens se perdeu, e entendeu que não é na base da espada que se planta o bem na humanidade, e sim com o amor. Fiel ao seu ideal, se desvinculou da sociedade e seguiu como andarilho.

Kenshin não usa seu poder (sua força, sua habilidade) para subjugar as pessoas, e sim para ajudá-las. Seu otimismo, boa vontade, senso de justiça e sinceridade de suas palavras (aliadas às suas habilidades como mestre espadachim), faz com que seja amado por todos que o rodeiam; amor que é a fonte inspiradora para todos que faz com que cada um ali manifeste o seu melhor. 

Kenshin tem um espírito brincalhão e amoroso, mas sem ser um pateta. Ele também sabe falar serio. E bem sério. Com a mente limpa e atenta, é o primeiro a perceber o perigo e a sua capacidade de raciocínio salva a todos em todas as situações de perigo ou dúvida. Sua habilidade com a espada (uma espada que, pelo que entendi, nem é do melhor tipo), é absolutamente artística, baseada em grandes estilos e mestres de outras épocas (cujas referências não sei fazer aqui), que o tornam respeitadíssimo até entre os inimigos mais cruéis.

O amor que Kenshin espalha não possui, domina ou impõe. Ele dá o melhor de si (quer ajudar as pessoas) e recebe de volta tudo que espalha, seja como amor (quase devocional), pela parte de seus companheiros, seja como respeito pela parte de seus adversários.

É esse tipo de amor que a sociedade representada no The Lobster não entendeu. O amor, ao se tornar uma convenção, perde a espontaneidade, e se torna tudo que ele não é. O amor é, antes de tudo, pelo menos uma tentativa genuína de compreensão do outro - e do outro, se estendendo à todos; o amor universal. Ao tentarmos nos impor ao outro, não estamos amando. Ao nos isolarmos em nós mesmos, não estamos amando.

Mas nessa parte do texto, comecei a pensar e resolvi que não quero falar de amor. Amor não se discute (ao contrário de política, religião e briga de marido e mulher). Se for possível, assistam o anime. E o The Lobster. Com muita atenção as personagens. Todos vão entender o que eu quis dizer até aqui.




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