Esse cara da imagem é o Refaat Ismail, personagem principal da série Paranormal (Netflix). É um daqueles cientistas "engessados" aferrados à lógica e ao sentido imediato das coisas, que jogam pra "falta de sentido" qualquer reflexão mais profunda que se perceba fazendo sobre os porques da vida e da existência humana - como se eventos aleatórios tivessem que ser necessariamente desprovidos de significado (uma pegadinha filosófica que nos arvora de todo o valor e torna nossa vontade protagonista de algo que não é ou, de forma igualmente ruim, nos tira toda a noção de autovalor nos empurrando num vórtice coletivo de fracasso e submissão, transtornos psicológicos, indo bater na hieraquização social).
Só que diferentemente daqueles que se recusam a conhecer - porque talvez seja cômodo - esse cientista vai ser confrontado pelo mistério. Daí parte uma trama simples, que é comum em vários filmes e outras séries, sobre o intelectual que tem que confrontar aquilo que não consegue explicar. Mas gostei muito da história do Reffat porque ele encontra no símbolo todas as direções para o inconsciente, ao qual ele não admite se submeter. Ele encontra nos sonhos, nas alegorias, nas cartas, uma lógica maior, transversal e profunda, ainda que individual, que o impulsiona em direção ao enfrentamento dos seus medos, e percebe que seu apego a lógica ao fim se resume a isso: medo.
Paranormal foi meu segundo ou terceiro contato com produções egipcias - fora aquelas norte americanas sobre múmias e mitologia egípcia que engessam nosso imaginário sobre um lugar tão distante e ainda lendário. Ainda que tenha o andamento lento em muitas passagens, que fazem os seis episódios parecerem doze, é muito interessante ver o egito sob o olhar dos egípcios. Aqui não temos deserto, piramides, museus, múmias ou turistas pra modelar a perspectivas, mas pessoas e lugares que, dadas as diferenças culturais, vivenciam conflitos que são eternos e inerentes à humanidade.
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