domingo, 24 de maio de 2020

Fear The Walking Dead (5ª temporada, 2019)

save your horses!
O momento de transição proposto na quarta temporada de FTWD segue durante a primeira metade da quinta. Os sobreviventes se firmam como grupo, e buscam algum motivo pra continuar sobrevivendo. Como a realidade não aponta possibilidades, a alternativa, apresentada por Morgan (Lennie James) que assume a liderança total a essa altura, é ajudar as pessoas  - aquele conceito de "a união faz a força", que é bem verdadeiro. É o sentimento de solidariedade que ligas as pessoas em sociedade, e as mantém unidas em direção a um fim comum, que mesmo antes do apocalipse zumbi, sempre foi a sobrevivência do grupo. 

A ideia paz e amor do Morgan é aderida pelo grupo, que ao longo da temporada, vai crescendo, agregando novas pessoas, novos personagens recorrentes, até nosso pequeno e disperso núcleo se tornar um grande comboio nômade, que tem como comissão de frente nossos personagens centrais, seguindo em busca de um lugar para se assentar.

A missão da primeira parte da temporada é salvar um grupo de crianças que estão numa situação complicada, em um lugar distante e precisam ser resgatados. O tom de aventura de sessão da tarde domina essa primeira metade do programa, e fomenta a liga entre os personagens centrais, que até então estavam nessa de "será que é uma boa ideia isso de ajudar os outros". É um momento leve, até pra relaxar as tensões e desanuviar o clima pesadíssimo da temporada anterior. 

Já a segunda metade da temporada é onde um novo momento se inicia, momento que definirá toda a trama da sexta temporada, e talvez vá além. Trata-se do aparecimento de um grupo de auto declarados "pioneiros", cuja viagem (porque é uma viagem) é repovoar a terra, ao estilo dos colonizadores dos Estados Unidos. O grupo é liderado  por Virginia (Colby Minifie), uma cowgirl autoritária que planeja construir uma cidade, aos moldes de Woodbury, do Governador da série The Walking Dead original.

Ela automaticamente se torna uma vilã que pretende destruir os planos do comboio nômade de Morgan, visto que eles propõem um estilo de vida livre dentro do apocalipse, e Virginia busca, literalmente, comandar, absorvendo todas as riquezas naturais necessárias para que seu plano funcione. E é aqui que se inicia uma guerra por petróleo.

A essa altura do campeonato, FTWD já está mais interessante do que até então. O clima western dominou a trama, o que é perfeitamente natural, se formos parar pra analisar dentro do contexto dos Estados Unidos. A série está num momento onde houve um salto no tempo, o apocalipse já segue adiantado. Os combustíveis dos carros abandonados pelas pessoas estão cada vez mais raros, com a locomoção por grandes distâncias cada vez mais dificultada (já que os recursos dos arredores tendem a acabar). Some-se a isso o fato de o núcleo principal não conseguir se assentar para desenvolver suas culturas, por culpa de Virginia, que também atrapalhou o esquema de produção de combustível com seu exército de cowboys, deixando nossos herois numa sinuca que encerra a temporada. 

no apocalipse, se junte a alguém que saiba fazer cerveja
É interessante perceber como, cada vez mais, o apocalipse leva as pessoas a retornarem as condições do passado, até mesmo pré-historico, esticando um pouco a baladeira. Nesse caso específico, a briga pelos recursos naturais, escassos, está conduzindo a um esquema de dominação imposto por quem dispõe da força das armas, bem parecido com o que acontecia durante a marcha para o oeste, na época do oeste selvagem nos EUA. Daí esses autoritários, sulistas, certamente, se autodenominarem "pioneiros". 

Sobre os personagens, também seguem em transição, mas sem muitas questões. Alícia (Alycia Debnan-Carey) se destaca por passar por um "momento". Ela ainda lida com a nova responsabilidade de estar sozinha no mundo, mas está encontrando um porto seguro na filosofia de Morgan, e se tornando uma espécie de discípula dele. Já Morgan tem seus próprios conflitos, envolvendo sua vocação para líder e a eficácia de seus julgamentos.

Luciana (Danay Garcia) volta a crescer nessa temporada, exercendo papel importante nos dois momentos da temporada. Seu futuro se torna incerto nos últimos episódios, mas, bom ou ruim, acredito que ela ainda vai ser de grande importância para o grupo no retorno da série logo mais. Victor Strand (Colman Domingo) também passou por transformações. De trambiqueiro ególatra pra um pessimista que só se associa por aos outros por medo de ficar sozinho. Ele, só agora, parece realmente mudar seu sentimento em relação ao presente, muito inflenciado pelo espírito do grupo. Ah, temos também o retorno de Daniel Salazar (Rubén Blades), dessa vez recuperado das amarguras dos infortúnios colecionados ao longo da série, sendo uma grande aquisição ao grupo. A cena do reencontro entre ele e Alicia, pra quem sofreu junto com ela a quarta temporada inteira, foi muito doce.

Ao contrário do que os fãs apegados dizem, a série só melhora, apesar das "serísses". Perceber essas sutilezas, e não ficar viajando só em cenas de ação, torna tudo muito interessante. 

Trailer: 

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