segunda-feira, 28 de abril de 2025

Sangue no Sarcófago da Múmia (Seth Holt, 1971): moderno só na capa, mas ainda assim uma capa bonita.

Sangue no Sarcófago da Múmia é um filme de múmia levemente diferente dos demais. Talvez tentando captar um pouco do espírito do momento e fugir um pouco do espectro das produções tradicionais das décadas anteriores, a Hammer Films Production resolveu lançar esta adaptação de A Joia de Sete Estrelas, obra de Bram Stoker publicada pela primeira vez em 1903. O resultado, no entanto, não passou da tentativa, com a trama caindo no lugar comum dos filmes de múmia produzidos, inclusive, pela própria Hammer. 
O filme narra a história de Margareth, amaldiçoada desde o nascimento pelo espírito de uma sacerdotisa egípcia, Tera, cujo sarcófago foi encontrada em uma expedição arqueológica conduzida por seu pai, o arqueólogo Fuchs. Ao ganhar do pai uma joia retirada do corpo da sacerdotisa, Margareth começa a ter sua personalidade “tomada” pelo espírito de Tera, que busca ressurreição.  
A ideia de trazer uma múmia egípcia de volta à vida na Londres de 1971, de início, é uma boa premissa, e um convite às novas possibilidades que o gênero “múmia” poderia aproveitar. Mas a inovação não foi além dos figurinos contemporâneos, com a trama caindo na mesmice de sempre, com a narrativa se passando, especialmente, em ambientes fechados como quartos, bibliotecas, museus, tumbas egípcias e que tais. 
Apesar de diferente por apresentar uma múmia de uma persona com ares de deidade, o que explica seu perfeito estado de conservação e a ausência de faixas, o filme também traz toda a premissa clássica de todos os filmes do mesmo tipo: arqueólogos encontram uma tumba e, nela, um sarcófago que se for violado, uma maldição se manifesta.


O baixo orçamento da produção fica explícito especialmente nas tentativas de cenas gráficas. Apesar das cenas de morte e mutilação serem geralmente passáveis, com o sangue vermelho vivo típico das produções B brilhando em tela, é nítido o esforço dos realizadores em “fazerem a coisa acontecer” (o ataque do artefato em forma de serpente sendo mostrado através das sombras na parede, apesar do amadorismo, é admirável).
As ambientações e cenários, ao contrário, fazem jus aos melhores trabalhos da Hammer, com o clima gótico percorrendo todos os cômodos das antigas casas inglesas, além das belas reconstruções dos cenários egípcios e as belas pinturas que os compõem.
Sangue no Sarcófago da Múmia é um filme simples, feito com poucos recursos, dispõe de um bom elenco (que quase contou com Peter Cushing em um dos papeis principais), e que se arrasta por vezes mas que ainda garante uma boa onda. 






Titulo: Blood from the Mummy's Tomb

País: Inglaterra 

Ano: 1971

Direção: Seth Holt, Michael Carreras

Elenco: Andrew Keir, Valerie Leon, James Villiers

3/5


Disponível no Darkflix.

domingo, 27 de abril de 2025

Punhos de Dragão (Lo Wei, 1979): Jackie frenético furioso

Em Punhos de Dragão, Jackie Chan é um discípulo de uma escola de kung fu que decide vingar o mestre, morto pelo mestre de uma outra escola local. Trama simples mas que rende muitas cenas de luta, sempre bem coreografadas, ainda que as atuações em si sejam pra lá de canastronas. 
Uma curiosidade aqui é que o enredo é apenas uma ponte de partida de uma história que se refaz ao longo do caminho. Punhos de Dragão abre o que vou chamar aqui de “trilogia do dragão” com um tom mais sério, bem diferente de outros trabalhos que o Jackie Chan participou nesta época. 
No filme, os planos de vingança de Jackie não saem como previsto sendo ele, a esposa do mestre falecido e sua filha (também namorada de Jackie), “obrigadas” a perdoar o assassino. A partir daqui, novas relações se estabelecem, a dinâmica dos aliados e rivais se alternam continuamente, e acompanhamos o pobre Jackie sempre orientado pelo seu objetivo maior - honrar o mestre e sua família. 


Há uma dose de drama e um certo ar de tragédia, uma atmosfera pálida de sorte selada que se consolida com a cena final. Trata-se de um bom exemplar dos trabalhos iniciais de Jack Chan, de uma época em que ele ainda estava construindo um nome sob a sombra de Bruce Lee e ainda não havia sido cooptado por Hollywood, e mais um produto de sua parceria com o diretor Lo Wei, com quem fez outros de seus melhores trabalhos. 





Titulo: Punhos de Dragão / Dragon Fist
País: Honk Kong 
Ano: 1979
Direção: Lo Wei
Elenco: Jackie Chan, Nora Mio, James Tien

Disponível no Prime Video

Super Fly (Gordon Parks Jr, 1972): a última dose é sempre a mais difícil.

Ícone da blaxploitation, Super Fly não vai muito longe em termos de história. Conta a história do traficante Youngblood Priest que está, dig...