aproveitando a deixa da realização do festival varilux em Fortaleza, e em várias cidades brasileiras, dei início a uma "imersão" (que dificilmente levarei adiante por motivos de falta de foco), na obra da cineasta Agnès Varda. ela foi um dos nomes mais festejados da nouvelle vague, tendo iniciado seus trabalhos, pelo que entendi, antes do movimento ter se "formalizado" de fato.
o primeiro filme que peguei foi sua estreia, la pointe courte, cuja data de lançamento os sites onde pesquisei não precisam, mas entendi que tenha sido entre 1954 e 1956.
nesse filme, varda, como boa geminiana, reflete sobre o apego em nossos relacionamentos em meio ao cotidiano difícil porém familiar e unido de uma comunidade pesqueira (uma favela na beira de um rio, sendo mais enxuto) em algum lugar da França.
o tema é atual, já que a arte de se relacionar é um dos grandes aprendizados que a humanidade ainda não conquistou. as reflexões provocadas pelo casal de protagonistas são atualíssimas, e, como dita a fama do cinema francês daquela época, estão séculos a frente do nosso tempo ou de nossos costumes. somos muito pobres ainda na forma de pensar, e consequentemente, na forma de sentir.
la pointe courte retrata uma realidade nada romantica, mas viva, dinâmica, movida pela fraternidade e pela racionalidade. nas piores condições (e aqui ponho a culpa nos governos), tais atributos podem tornar o mundo dos homens em um lugar melhor para se viver.
agnès varda é geminiana de maio de 1928 e desencarnou em março de 2019. é belga, radicada na França, feminista e experimental. realizou la pointe courte aos 25 anos de idade, quando ainda não possuia experiência alguma como cineasta.
seu filme cleo de 5 as 7, de 1962. seria seu primeiro grande trabalho e um marco do movimento nouvelle vague, que bombou naquela década.

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