terça-feira, 24 de setembro de 2019

O Quinteto (The Quintet, 1979)


Robert Altman é meu diretor americano favorito entre os que considero clássicos (aquela geração pós-68). De toda a irregular filmografia dele, esse O Quinteto (Quintet) foi um dos filmes mais difíceis de achar, e até me bateu uma ligeira decepção quando comecei a assistir (até interrompi na metade e fui fazer outra coisa, enquanto pensava se continuava ou não naquela aventura que, durante quase toda a primeira hora, não entendi nada). 

Explicando: distopia futurista, sci-fi quase filosófico, mostrando um resto de humanidade em um momento do tempo que não sabemos precisar o quão distante está, para frente ou para tás, do momento de execução da película. O cenário é um planeta tomado pelo gelo! Sim, uma era glacial, com grupos humanos sobrevivendo da forma mais primitiva e improvisada possível. É como aquele velho oeste de McCabe e Mrs Miller, só que coberto de gelo. 

A estrutura da sociedade, assim como a trama do filme, é difícil de compreender: tudo funciona em torno de um jogo chamado O Quinteto. Todo mundo vive em função desse jogo, para esse jogo, e por esse jogo. Ele determina quem vive, quem morre, como as pessoas se relacionam, e etc. O jogo reflete, ainda, toda a ordem filosófica e moral vigente ali. 

Com o tempo, vamos percebendo a perspectiva platônica da "viagem" que é o jogo O Quinteto, um jogo jogado por cinco (ou seis) pessoas, e baseado em cinco fases distintas da vida, que vão do nascimento até a morte. O sexto jogador, ou a sexta parte, é o VAZIO, ou Deus, ou aquilo para onde tudo retorna, ou aquilo de onde tudo provém. É isso. E Paul Newman está no meio desse deserto gelado, cheio de espíritos reduzidos ao estágio mais primitivo e animalesco do homem, tentando sobreviver. 

O filme é arrastado, complicado de entender, e só com muito foco consegui chegar até o final.... e não me decepcionei. Robert Altman está entre meus diretores favoritos pois sempre propõe uma perspectiva, uma forma de pensar as relações humanas e as diversas individualidades. Poucos diretores conectam tão profundamente aos personagens quanto ele, e ainda que ele não faça isso nesse filme (não com nenhum personagem em específico, pelo menos), de uma forma distanciada, sem sabermos bem onde, nem quando e nem porque, ele nos conecta com a Vida. 


Trailer: Quintet (1979)

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