A história da Mulher de Preto eu conheci através do filme de 2012, lançado para marcar o "retorno" dos estúdios Hammer. Tratava-se de mais uma adaptação do livro A Woman in Black, de Susan Hill, cantada por aí como uma "gothic novel" à moda clássica. Eu não li o livro, mas o filme com o Daniel Radcliff foi desastroso (apesar da fotografia e direção de arte, ambas maravilhosas).
Mas retomo esse tema devido a descoberta (de minha parte) dessa adaptação anterior, lançada em 1989 por uma tal de ITV Granada, que, dizem, é bem mais fiel ao escrito original de Susan Hill. Admito que amei a adaptação, uma legítima história de fantasma, de baixo orçamento e muito respeito à moda clássica, lembrando, inclusive, obras da própria Hammer nos tempos áureos - e por que não dizer, os contos góticos de Edgar Alan Poe e à literatura gótica do século XIX, de um modo geral.
A história já é conhecida: uma viúva solitária, moradora de uma cidade pequena de litoral, morre, e um advogado é enviado à seu casarão, isolado, para fazer o inventário de seus bens para por tudo à venda. Ao chegar na cidadezinha, percebe que todos se assustam quando entendem que ele pretende passar alguns dias no tal casarão. Se mostram reticentes quanto à ideia, mas oferecem toda ajuda possível - à distância, claro - ao jovem advogado. A partir daqui, uma série de sensações, vislumbres, um constante clima de paranoia começam a se fazer sentir, além do desvelar de um grande mistério.
Nada aqui é exagerado. Sem sustos fáceis (como na versão de 2012), o horror aqui cresce no silêncio, seja nas trevas da mansão sem luz na calada da noite, seja em plena luz do dia, com a visão de alguém que todo mundo prefere evitar,ou, ainda, no peito e nas expressões do jovem advogado, cada dia mais engolido pela dor da estranha presença que paira nos entornos do casarão.
São poucos os filmes de fantasma que ainda apostam nessa forma elegante de causar medo. O erro da Hammer, em sua adaptação, foi apostar na forma atual de fazer terror, com muito sustos gratuitos e um apelo ao grotesco em cena. Na adaptação de 89, o que temos é um filme simples, mas com todo o peso que um fantasma, rancoroso como deve ser, carrega em sua memória.
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