Ah, Xena... uma das grandes diversões da infância. Passávamos, eu e vovô, a tarde inteira assistindo em sequencia Xena, Caçadora de Relíquias, O Mundo Perdido, e um mundo de séries que passavam na rede Record ali pelos idos de 2000. Eram tardes e tarde de gargalhadas acompanhando as aventuras dessa a guerreira marrenta, cheia de "habilidades".
Olhando de hoje, Xena, a série, continua sendo uma diversão garantida pra mim, e hoje soa muito mais interessante que há 20 anos atrás. É uma série que, assim como todas as outras que citei aqui (e pretendo falar de todoas um dia) ficou meio relegada ao status de "série de quinta" se comparada às produções de hoje. Assim, a produção de fato era meio pobre, o figurino, mmm, não sei se era tão convincente. Mas eu acho que até que é. Talvez seja a fotografia, ou os efeitos especiais (anos 90, gente)... não sei. Mas tem uma qualidade trash na Xena, e eu não duvido nada que tenha a ver com a produção do Sam Raimi.
E abstraindo todos esses detalhes, e esse é o segredo, temos sim uma ótima série. Xena (Lucy Lawless) é uma princesa guerreira, forjada no calor da batalha, e blá blá blá... nessa primeira temporada a conhecemos, e também o seu mundo. A Xena circula ali pelos entornos do Mar Mediterrâneo entre, pelo menos, 300 e 1.000 a.C. Os personagens e seres mitológicos que ela encontra pelo caminho denunciam que o território onde se passa (pelo menos a maior parte) a trama é a Grécia, e é nesse contexto que Xena inicia sua jornada por redenção.
Nessa primeira temporada, ela conhece Gabrielle (René O'connor), sua companheira de viagem tagarela com qualidades de trovadora. Outros personagens recorrentes já são apresentados aqui também, como os deuses Ares e Hades, Hercules e Iolaus, Joxer, Salmoneus, Autolicus, a vilã Calisto, entre outros.
Uma das características interessantes dessa série é o caráter feminista que até então, no auge da infância, eu não percebia. O jeito machão e bem resolvido de Xena, a despeito das piadas sobre a 'lesbian energy' que a personagem emana, mostra uma mulher independente, forte, sexual, e acolhedora, características que não são observadas em nenhum rei daquele mundo de reis decaídos. O fato de ela derrotar todos os homens em batalha de forma coreografada e exagerada pode ser um visto como um mero símbolo.
Em um mundo onde os homens poderosos temem os deuses, deuses egoístas, Xena e Gabreille dão uma lição de autonomia, liberdade e independência. Consideradas as licenças poéticas, não deixa de nos divertir ver Gabrielle ensinando Homero (!!!) a contar histórias e lhe inspirando confiança. Da mesma forma, vermos uma Helena de Troia negra e emancipada em busca de liberdade é de arrepiar, ainda mais nos dias atuais.
Humor pastelão e sabedoria existencial se complementam nessa série que é uma das melhores dos anos 90. Respeitem, hehe!
Trailer

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