sexta-feira, 26 de junho de 2020

Green Carnation - Leaves of Yesteryear (2020)


As ramificações dos insights (ou meras conclusões, sendo menos romântico) oriundos do sonho dessa noite me trouxeram ao EP Leaves of Yesteryears, do Green Carnation, lançado em maio desse ano. Trata-se da primeira gravação da banda em 14 anos, a primeira após o (para mim, ótimo) Acoustic Verses. Não é novidade que a banda segue anos a frente da metaleira do passado. O clima gótico, soturno e atmosférico permanece mas, seguindo o fluxo, com o peso das distorções aos poucos sendo substituido por cordas e melodias suaves, mas nem por isso menos densas.

Leaves of Yesteryear traz cinco músicas, sendo três inéditas, uma regração e um cover para a canção Solitude do Black Sabbath. Eu admito que não conheço os discos anteriores ao Acoustic Verses. Já ouvi o Journey to the End of the Night, mas confesso que não me ligo do que tratam as letras. Mas ao ouvir a regração para esse EP de My Dark Reflections of Life and Death (original do Light of Day, Day of Darkness, de 2001) e acompanhar a letra, acho que é justamente disso que a banda trata.

O novo EP mostra o passeio "interior" que talvez a banda tenha realizado nos últimos 14 anos - e que, de certa forma, todos estamos sendo levados a fazer, alguns mais ou menos esotericamente, nesse novo século (cada vez com mais força). Essa característica esotérica, aliás, pode ser percebida de entrada já na bela arte do álbum. 

O tema em roxo destacado mostra o centro psíquico e as diversas camadas do "ser" que se desenvolvem a partir dele, com todos os seus símbolos e referências. Da pele, camada mais superficial, partem ondas, tempestades emocionais, densidade que vai se  sutilizando a medida que avança para o centro, por meio da visão interior, simbolizada pelos olhos, à transmutação espiritual e liberdade que se segue, simbolizada pelas borboletas que se aproximam do centro. Muito bom! Além de uma bela capa, genial!

A música segue a linha do álbum anterior, com muitas passagens acústicas, vocais sóbrios, a melancolia dando o tom. As versões de My Dark Reflections of Life and Death e Solitude são lindas, e assim como todo o EP, merecem ser ouvidas com alguma solenidade. De preferência, concentrado na melodia, de olhos fechados. 

As três músicas inéditas variam entre o folk acústico e momentos mais heavy, mas nada extremo. As letras seguem como reflections of life and death, rss, com reflexões ora poéticas, ora existenciais sobre a "condição humana", principalmente em tempos muito midiáticos como o atual. É um belo EP, uma bela música, que me deixa ansioso pelo que virá a seguir - ou não muito.  Me faz pensar que a banda está cada vez mais perto desse centro destacado na arte, artisticamente falando, ou pelo menos, caminhando sem cessar em direção a ele. É um trabalho delicado, nostálgico, e a meu ver, profundo. Eu vejo aqui um ser antigo em transformação, e que entende que as "leaves of yesteryears" não são as mesmas de hoje, o que por si já é digno de respeito. 


Solitude (Black Sabbath cover)

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