As ramificações dos insights (ou meras conclusões, sendo menos romântico) oriundos do sonho dessa noite me trouxeram ao EP Leaves of Yesteryears, do Green Carnation, lançado em maio desse ano. Trata-se da primeira gravação da banda em 14 anos, a primeira após o (para mim, ótimo) Acoustic Verses. Não é novidade que a banda segue anos a frente da metaleira do passado. O clima gótico, soturno e atmosférico permanece mas, seguindo o fluxo, com o peso das distorções aos poucos sendo substituido por cordas e melodias suaves, mas nem por isso menos densas.
Leaves of Yesteryear traz cinco músicas, sendo três inéditas, uma regração e um cover para a canção Solitude do Black Sabbath. Eu admito que não conheço os discos anteriores ao Acoustic Verses. Já ouvi o Journey to the End of the Night, mas confesso que não me ligo do que tratam as letras. Mas ao ouvir a regração para esse EP de My Dark Reflections of Life and Death (original do Light of Day, Day of Darkness, de 2001) e acompanhar a letra, acho que é justamente disso que a banda trata.
O novo EP mostra o passeio "interior" que talvez a banda tenha realizado nos últimos 14 anos - e que, de certa forma, todos estamos sendo levados a fazer, alguns mais ou menos esotericamente, nesse novo século (cada vez com mais força). Essa característica esotérica, aliás, pode ser percebida de entrada já na bela arte do álbum.
O tema em roxo destacado mostra o centro psíquico e as diversas camadas do "ser" que se desenvolvem a partir dele, com todos os seus símbolos e referências. Da pele, camada mais superficial, partem ondas, tempestades emocionais, densidade que vai se sutilizando a medida que avança para o centro, por meio da visão interior, simbolizada pelos olhos, à transmutação espiritual e liberdade que se segue, simbolizada pelas borboletas que se aproximam do centro. Muito bom! Além de uma bela capa, genial!
A música segue a linha do álbum anterior, com muitas passagens acústicas, vocais sóbrios, a melancolia dando o tom. As versões de My Dark Reflections of Life and Death e Solitude são lindas, e assim como todo o EP, merecem ser ouvidas com alguma solenidade. De preferência, concentrado na melodia, de olhos fechados.
As três músicas inéditas variam entre o folk acústico e momentos mais heavy, mas nada extremo. As letras seguem como reflections of life and death, rss, com reflexões ora poéticas, ora existenciais sobre a "condição humana", principalmente em tempos muito midiáticos como o atual. É um belo EP, uma bela música, que me deixa ansioso pelo que virá a seguir - ou não muito. Me faz pensar que a banda está cada vez mais perto desse centro destacado na arte, artisticamente falando, ou pelo menos, caminhando sem cessar em direção a ele. É um trabalho delicado, nostálgico, e a meu ver, profundo. Eu vejo aqui um ser antigo em transformação, e que entende que as "leaves of yesteryears" não são as mesmas de hoje, o que por si já é digno de respeito.
Solitude (Black Sabbath cover)

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