terça-feira, 25 de agosto de 2020

Os 5 Venenos de Shaolin (The Five Venons/ The Five Deadly Venons, 1978)

Ainda não manjo muito de cinema de artes marciais, mais eis aqui um filme interessante. Parece ser um clássico do gênero, e,no que diz respeito a parte objetiva (técnica) do filme, apesar de eu, particularmente, achar os cenários equiparáveis ao de episódios memoráveis de Chapolin (rsss), as cenas de luta são muito elogiadas pelos fãs do estilo, assim como a narrativa.

O Mestre da escola de kung fu Cinco Venenos, no leito de morte, pede ao seu último discípulo que se alie a um dos seus cinco discípulos anteriores, os "cinco venenos", a fim de derrotar os outros quatro, que estão usando suas habilidades marciais para cometer crimes. A ideia é recuperar um tesouro que foi roubado e entregar a caridade. A questão é que esse Mestre treinou os cinco venenos anonimamente, ele não sabe quem eles são. A única informação é que cada um é especialista em um estilo específico, a saber, Centopeia, Cobra, Escorpião, Sapo e Lagarto. 

O novato deve se infiltrar no vilarejo, observar e descobrir quem é quem, se aliar aos Venenos que ainda dispõe de valores nobres, e resgatar o mapa do tesouro. Parece bobo, e é um pouco, mas isso não elimina a diversão nada vulgar que a trama propõe. Observando o estilo de cada um e conhecendo um pouco dos símbolos por trás de cada estilo, ou animal de poder, já é possível matar a história - essa percepção, aliás, foi a parte que achei divertida. 

Conforme o que pesquisei, trata-se de uma trama de Chang Cheh, que dirigiu vários filmes de artes marciais desse período (a julgar por esse Cinco Venenos, pretendo falar sobre outros aqui), e produzido por uma tal de Shaw Brothers, que, também pelo que entendi, trata-se de uma produtora de Honk Kong especializada nesse tipo de lançamento. 

Cinco Venenos de Shaolin, ao que parece, é um marco do gênero por conter cenas com um pouco mais de violência que o habitual, para além das cenas coregrafadas de luta. A direção também evidencia muito as sutilezas técnicas dos "Venenos", que aqui e ali se transformam em um mini show - achei as lutas do Cobra e do Sapo incríveis. Recomendo, tem lá no Netflix!

Trailer

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Cujo (1983)

Não sei se o Stephen King segue esse padrão nos seus livros, mas os filmes baseados em suas obras sempre são meio "meh", né, não apenas pelo característica "juvenil" - tirando por IT, que foi o único que levei a cabo a leitura, é uma literatura juvenil - mas pelas soluções simples, que muitas vezes se dão com uma batalha final contra um monstro, muitas vezes absurdo. O ponto positivo, é justamente o que há por trás desses monstro. 

A obra do King, pelo que percebo, é atravessada por um conhecimento ocultista nunca levado às telas de fato, mas sempre aos pedaços, tal qual JK Rowling nos apresenta em Harry Potter - e agora cá estou fazendo duas considerações a mim mesmo: 1 - nem os ocultistas iriam tratar explicitamente de conhecimento oculto no cinema ou em literatura de ficção a não ser por metáforas ou disfarçado em mistiscismo pop, a regra do silêncio é clara; e 2 -  o monstro, enquanto metáfora, é a melhor forma de maquiar muitas coisas que se mantém ocultas, e é nisso que reside o valor da obra de King. São trabalhos com linguagem quase adolescente, mas muita coisa pode ser observada pelos mais atentos...

Cujo, por usa vez, é um filme com pouquissimas metáforas, pelo menos até onde meu olhar alcançou. E foi justamente isso que fez esse filme (pois não li o livro) ser tão bom. Não sei o quanto ele foi adaptado a partir da obra original, mas trata-se, enquanto filme, de um terror absolutamente plausível, quase perfeitamente real. Muito bom!

Trata-se da história de um cachorro contaminado pela raiva a partir do contato com um morcego, e é isso. A trama gira em torno de uma mãe e um filho que são muitíssimo bem colocados dentro de um contexto de confinamento com o cão raivoso à espreita. Não dá pra falar muito sem entregar as cenas, mas pode-se dizer que se trata de um suspense coerente e bem construído, onde os personagens são conduzidos de forma objetiva, sem muita firula ou sustos falsos ou burrices construídas pra forçar emoção. 

Dentro da obra cinematográfica baseada na literatura do King, Cujo foi o filme que me deixou mais satisfeito em todos os aspectos. Os dramas familiares, sempre presentes, estão ali dando o tom, mas saímos um pouco dos traumas de infância convertidos em monstros (ainda que o tema esteja presente, quando olhamos a história sob a perspectiva da criança) e entramos num mundo muito real ao olhar da perspectiva dos adultos. Um mundo que exige um olhar atento e cuidadoso para com os nossos, pois inclusive estes o dinamismo da vida pode transformar em nossos maiores inimigos a qualquer momento. 


Trailer:

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

The Walking Dead - 4ª temporada (2013/2014)

A quarta temporada de TWD foi tão tensa quanto a quarta temporada de FTWD. Ou melhor, o contrário. Será proposital? Em ambas as séries a quarta temporada foi dividida em dois momentos: a primeira metade, que encerra um ciclo que havia se desenvolvido até então, e metade final, de soerguimento dos sobreviventes e vislumbres à uma nova direção.

No caso da série original, assim como na derivada (que assisti primeiro), foi a morte de alguns personagens principais seguido da dispersão dos sobreviventes que marcaram essa ponte para um novo momento, que deverá se sedimentar melhor na quinta temporada. Desta vez, foi a morte de Hershel e do Governador, assim como o fim da comunidade que se formou na prisão que marcou esse momento.

A primeira metade da temporada é marcada por uma epidemia (outra) que tanto adoece e mata os vivos, como ainda os zumbifica sem pecisarem ser mordidos pelos walkers. A tônica é de desespero quando a epidemia se espalha na prisão, algo que se torna insustentável com o retorno súbito do Governador.

O Governador surgiu do nada e ganhou um destaque pequeno na reta final da midseason, que foi interessante, e não rsss por motivos dele ser um sujeito detestável e burro - sim, porque esse rancor todo numa situação de apocalipse zumbi é coisa de... enfim, não sou eu que vou ficar diminuindo os traumas alheios né?! O personagem ganhou alguns episódios que contaram sua história após a queda de Woodbury, e de como ele teve uma oportunidade de redenção, que foi estragada por sua vontade (idiota) de vingança. Estão na conta dele os acontecimentos que encerraram a midseason, que são uns dos marcos da série, a invasão da prisão e a morte de Hershel.

Esse acontecimento, inclusive, é o equivalente (lembrando sempre que essa série veio primeiro) aos tornados que finalizam a primeira metade da season 4 de FTWD. A partir daqui, o destino dos personagens é semelhante nas duas séries: incerteza e dispersão. Nessa metade final, acontece aquilo que mais acho interessante no universo Walking Dead, mas que me causou tanto desconforto quando, novato, estreando na mitologia por meio da FTWD, não compreendia tão bem, que é a união de personagens absolutamente diferentes entre si, unidos pela necessidade de sobreviver. 

Nessa segunda metade, os sobreviventes do grupo original já são poucos, mas temos outros que foram aparecendo nas temporadas posteriores e aqui começam a ganhar mais destaque, como Sasha, Tyreese, Bob e Tara, além das primeiras aparições de Abrahan Ford, Rosita e Eugene.

Separados em grupos de dois ou três sobreviventes, eles buscam uns aos outros e tentam chegar num local chamado Terminus, indicado por placas por todos os caminhos como um local para sobreviventes (tal qual Woodbury foi um dia). Esse momento entra muito no psicológico dos personagens, e percebemos eles lidando com a incerteza da perda, a desesperança, e a necessidade de seguir em frente.

Há muitos destaques nesse momento, como a fúria de Rick Grimes em tal momento com um grupo chamado  Caçadores; o amadurecimento de Beth e o estreitamento de sua relação com Daryl; as questões pessoais e medos enfrentadas por Sasha e Maggie, ante a possível perda dos seus; a relação entre Michonne e Carl, que enfrenta o peso do desaparecimento de Judith; e a compreensão que surge entre Tyreese e Carol, e principalmente, o desenvolvimento desta como personagem forte e independente. Até o momento, Carol é o personagem que mais se destaca, a meu ver, por não dar pra trás, nem perder a fé, e seguir em frente mesmo quando tudo e todos apontam o contrário. Ela tem tomado as decisões e atitudes mais difíceis da série, que até Rick Grimes, político demais, será obrigado a reconhecer (e agradecer, se for possível) em algum momento. 

A série nessa quarta temporada perdeu um pouco daqueles picos de ação (apesar de ainda tê-los) típicos da segunda e terceira temporada, e passou a desenvolver picos de emoção rssss através daquilo que chamo de "realidade do apocalipse", onde nem tudo dá certo, a lógica e a moral precisam ser adaptadas para fins de sobrevivência, e, principalmente, a necessidade de nos acostumar com o fato de que nem todos vão chegar à reta final. Como disse Alícia em FTWD tal momento (também na quarta temporada), a coisa só piora e piora, e vai piorando até você não estar mais aqui pra ver o quão pior pode ficar. Carol já sacou essa verdade. 


Trailer Season 4

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Ícone da blaxploitation, Super Fly não vai muito longe em termos de história. Conta a história do traficante Youngblood Priest que está, dig...