segunda-feira, 17 de agosto de 2020

The Walking Dead - 4ª temporada (2013/2014)

A quarta temporada de TWD foi tão tensa quanto a quarta temporada de FTWD. Ou melhor, o contrário. Será proposital? Em ambas as séries a quarta temporada foi dividida em dois momentos: a primeira metade, que encerra um ciclo que havia se desenvolvido até então, e metade final, de soerguimento dos sobreviventes e vislumbres à uma nova direção.

No caso da série original, assim como na derivada (que assisti primeiro), foi a morte de alguns personagens principais seguido da dispersão dos sobreviventes que marcaram essa ponte para um novo momento, que deverá se sedimentar melhor na quinta temporada. Desta vez, foi a morte de Hershel e do Governador, assim como o fim da comunidade que se formou na prisão que marcou esse momento.

A primeira metade da temporada é marcada por uma epidemia (outra) que tanto adoece e mata os vivos, como ainda os zumbifica sem pecisarem ser mordidos pelos walkers. A tônica é de desespero quando a epidemia se espalha na prisão, algo que se torna insustentável com o retorno súbito do Governador.

O Governador surgiu do nada e ganhou um destaque pequeno na reta final da midseason, que foi interessante, e não rsss por motivos dele ser um sujeito detestável e burro - sim, porque esse rancor todo numa situação de apocalipse zumbi é coisa de... enfim, não sou eu que vou ficar diminuindo os traumas alheios né?! O personagem ganhou alguns episódios que contaram sua história após a queda de Woodbury, e de como ele teve uma oportunidade de redenção, que foi estragada por sua vontade (idiota) de vingança. Estão na conta dele os acontecimentos que encerraram a midseason, que são uns dos marcos da série, a invasão da prisão e a morte de Hershel.

Esse acontecimento, inclusive, é o equivalente (lembrando sempre que essa série veio primeiro) aos tornados que finalizam a primeira metade da season 4 de FTWD. A partir daqui, o destino dos personagens é semelhante nas duas séries: incerteza e dispersão. Nessa metade final, acontece aquilo que mais acho interessante no universo Walking Dead, mas que me causou tanto desconforto quando, novato, estreando na mitologia por meio da FTWD, não compreendia tão bem, que é a união de personagens absolutamente diferentes entre si, unidos pela necessidade de sobreviver. 

Nessa segunda metade, os sobreviventes do grupo original já são poucos, mas temos outros que foram aparecendo nas temporadas posteriores e aqui começam a ganhar mais destaque, como Sasha, Tyreese, Bob e Tara, além das primeiras aparições de Abrahan Ford, Rosita e Eugene.

Separados em grupos de dois ou três sobreviventes, eles buscam uns aos outros e tentam chegar num local chamado Terminus, indicado por placas por todos os caminhos como um local para sobreviventes (tal qual Woodbury foi um dia). Esse momento entra muito no psicológico dos personagens, e percebemos eles lidando com a incerteza da perda, a desesperança, e a necessidade de seguir em frente.

Há muitos destaques nesse momento, como a fúria de Rick Grimes em tal momento com um grupo chamado  Caçadores; o amadurecimento de Beth e o estreitamento de sua relação com Daryl; as questões pessoais e medos enfrentadas por Sasha e Maggie, ante a possível perda dos seus; a relação entre Michonne e Carl, que enfrenta o peso do desaparecimento de Judith; e a compreensão que surge entre Tyreese e Carol, e principalmente, o desenvolvimento desta como personagem forte e independente. Até o momento, Carol é o personagem que mais se destaca, a meu ver, por não dar pra trás, nem perder a fé, e seguir em frente mesmo quando tudo e todos apontam o contrário. Ela tem tomado as decisões e atitudes mais difíceis da série, que até Rick Grimes, político demais, será obrigado a reconhecer (e agradecer, se for possível) em algum momento. 

A série nessa quarta temporada perdeu um pouco daqueles picos de ação (apesar de ainda tê-los) típicos da segunda e terceira temporada, e passou a desenvolver picos de emoção rssss através daquilo que chamo de "realidade do apocalipse", onde nem tudo dá certo, a lógica e a moral precisam ser adaptadas para fins de sobrevivência, e, principalmente, a necessidade de nos acostumar com o fato de que nem todos vão chegar à reta final. Como disse Alícia em FTWD tal momento (também na quarta temporada), a coisa só piora e piora, e vai piorando até você não estar mais aqui pra ver o quão pior pode ficar. Carol já sacou essa verdade. 


Trailer Season 4

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