Não sei se o Stephen King segue esse padrão nos seus livros, mas os filmes baseados em suas obras sempre são meio "meh", né, não apenas pelo característica "juvenil" - tirando por IT, que foi o único que levei a cabo a leitura, é uma literatura juvenil - mas pelas soluções simples, que muitas vezes se dão com uma batalha final contra um monstro, muitas vezes absurdo. O ponto positivo, é justamente o que há por trás desses monstro.
A obra do King, pelo que percebo, é atravessada por um conhecimento ocultista nunca levado às telas de fato, mas sempre aos pedaços, tal qual JK Rowling nos apresenta em Harry Potter - e agora cá estou fazendo duas considerações a mim mesmo: 1 - nem os ocultistas iriam tratar explicitamente de conhecimento oculto no cinema ou em literatura de ficção a não ser por metáforas ou disfarçado em mistiscismo pop, a regra do silêncio é clara; e 2 - o monstro, enquanto metáfora, é a melhor forma de maquiar muitas coisas que se mantém ocultas, e é nisso que reside o valor da obra de King. São trabalhos com linguagem quase adolescente, mas muita coisa pode ser observada pelos mais atentos...
Cujo, por usa vez, é um filme com pouquissimas metáforas, pelo menos até onde meu olhar alcançou. E foi justamente isso que fez esse filme (pois não li o livro) ser tão bom. Não sei o quanto ele foi adaptado a partir da obra original, mas trata-se, enquanto filme, de um terror absolutamente plausível, quase perfeitamente real. Muito bom!
Trata-se da história de um cachorro contaminado pela raiva a partir do contato com um morcego, e é isso. A trama gira em torno de uma mãe e um filho que são muitíssimo bem colocados dentro de um contexto de confinamento com o cão raivoso à espreita. Não dá pra falar muito sem entregar as cenas, mas pode-se dizer que se trata de um suspense coerente e bem construído, onde os personagens são conduzidos de forma objetiva, sem muita firula ou sustos falsos ou burrices construídas pra forçar emoção.
Dentro da obra cinematográfica baseada na literatura do King, Cujo foi o filme que me deixou mais satisfeito em todos os aspectos. Os dramas familiares, sempre presentes, estão ali dando o tom, mas saímos um pouco dos traumas de infância convertidos em monstros (ainda que o tema esteja presente, quando olhamos a história sob a perspectiva da criança) e entramos num mundo muito real ao olhar da perspectiva dos adultos. Um mundo que exige um olhar atento e cuidadoso para com os nossos, pois inclusive estes o dinamismo da vida pode transformar em nossos maiores inimigos a qualquer momento.
Trailer:

Nenhum comentário:
Postar um comentário