domingo, 30 de maio de 2021

Vera Cruz (Edu Falaschi, 2021): me deixou feliz


Não é de hoje que eu curto o som do Falaschi, e quando falo “o som” é porque ele tem uma forma de compor muito característica, não só por seguir a cartilha do power metal e entregar tudo que um fã do estilo quer ouvir, mas porque ele tem aquele “feeling” de compositor de melodias cativantes e que pegam rápido (não sei como os hits dele não extrapolaram a cena metal).

No “começo da internet”, rsss ou pelo menos naquele período que começaram a surgir os primeiros sites de compartilhamento, como Rapidshare e Mediafire, não só os clássicos das bandas mas também material antigo e até algumas raridades começaram a pipocar web a fora, algumas coisas até difíceis de achar (até então, hoje é outra história). Nessa época, que coincidiu com a entrada do Edu Falaschi para o Angra, acessei Mitrium (que não lembro mais do som), e Symbols, bandas pelas quais Edu Falaschi e essa “marca” que comentei aqui já se faziam presentes desde então. A qualidade como compositor de Edu também atravessou, não sem controvérsias, toda sua “estada” no Angra. Rebirth e Temple of Shadows são dois grandes hits da banda, e apesar de meio apagados em relação ao sucesso destes dois, Aurora Consurgens e Aqua não ficam nem um passo atrás, são dois excelentes álbuns.

E desde Aqua eu parei de acompanhar os lançamentos. O Almah (outra banda do Edu) também estava em seu primeiro ou segundo disco, mostrando uma faceta mais agressiva do Edu, e não foi sem surpresa que fiquei sabendo do lançamento de Vera Cruz este ano. Antes de ouvir, fui atrás de saber o que tava acontecendo rssss e fui pego de surpresa ao ver que o Almah já tinha uns cinco ou seis discos lançados, e que inclusive já tinha encerrado as atividades, e que o próprio Edu falaschi já tinha iniciado uma carreira solo com alguns discos lançados.

Daí antes de sacar o Vera Cruz eu saquei no Deezer o primeiro disco dessa nova empreitada, chamado Moonlight. Confesso que achei esse disco meio meh, e ok, pode-se dizer que é um trabalho mais elaborado e que requer mais audições para “captar a essência”, mas eu nunca deixo de pensar “pra que isso?” quando vejo os artistas refazendo seus sucessos, numa tentativa de fazer melhor (duvido que alguém se disponha a fazer isso pra fazer pior, né). Esse disco conta com boas adaptações ou covers dele mesmo (Arising Thunder e Wishing Well ficaram ótimas), mas outras coisas (tipo Nova Era e Spread Your Fire - minhas favoritas do Edu) ganharam versões que, pelo menos pra mim que sou fã das duas músicas, são de embrulhar o estômago.

Além de Moonlight, Edu andou soltando em formato single outras - aqui sim - boas canções, ainda que típicos power metals do tipo que ele é acostumado a compor, como The Glory of the Sacred Truth e Streets of Florence.

Vera Cruz então surge então, de fato, como o primeiro álbum solo de inéditas de Edu Falaschi, e o que ele traz de bom? Muitas coisas, principalmente ao NÃO tentar inovar demais. Aqui temos Edu explorando toda sua capacidade como compositor criando um ambiente no qual pode manejar sua voz à vontade no seu ritmo, e que pode, de certa forma, ser encarado como uma continuidade do trabalho que vinha desenvolvendo em suas bandas anteriores.

Ecos óbvios de Angra e Almah são sentidos por todo o álbum. Os regionalismos estão presentes e a participação de nomes consagrados do metal (no caso, Max Cavalera) e da música brasileira (desta vez, Elba Ramalho), estão presentes de maneira muito semelhante ao que nos foi apresentado em Temple of Shadows (que teve a participação do blind guardian Hansi Kursch na faixa mais agressiva e de Milton Nascimento no emocionante final do disco).

É difícil indicar as melhores faixas. Eu tendo a gostar mais dos power metal velozes, que aqui são a maioria, mas todas as faixas são potencialmente boas. É um bom disco, pormais piegas que seja a temática, e certamente é um marco na carreira do Edu, me parecendo um "presente para os fãs" muito mais do que o que foi o Moonlight (li isso em algum lugar) que, convenhamos, é bastante ousado. Edu parece estar feliz nas comemorações dos seus 30 anos de carreira, fazendo o que quer, levando orquestras pro palco e tocando sinfonias metálicas ao vivo (algo que suspeito que ele deseja desde Temple of Shadows) e o melhor, nos entregando material de qualidade como sempre fez, até em seus momentos mais controversos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Super Fly (Gordon Parks Jr, 1972): a última dose é sempre a mais difícil.

Ícone da blaxploitation, Super Fly não vai muito longe em termos de história. Conta a história do traficante Youngblood Priest que está, dig...