domingo, 23 de maio de 2021

Spirit: o espírito de 1968

 


Esses dias andei ouvindo o chamado do espírito, ops, do Spirit (rsss, podre), e retomei o primeiro álbum deles. É o típico disco sessentista que me leva de volta uma bolha "atmosférica" que há um tempo não vivencio, mas que era comum numa época em que eu só ouvia rock hippie: Grateful Dead, Jefferson Airplane, Love, Big Brother and Holding Co., Beau Brummels, Byrds, e também o Spirit, pra fechar o time californiano.

E talvez até por isso o disco de estreia do Spirit seja repleto desse… ar, que permeia a discografia dessas bandas: pra mim tem cara de sol, praia, amor, liberdade, e até alguma paz, mesmo que os experimentos mais voltados pra psicodelia causem alguma bagunça no som (nos sentidos), mas isso nem chega a acontecer nesse disco.

Apesar de não ter bombado de primeira, o disco provocou alguma repercussão (principalmente se avaliarmos melhor as polêmicas envolvendo o Led Zeppelin), inclusive pela variedade de sons que não se limitava ao espectro “ensolarado” que as guitarras californianas produziam naquela altura, mas há referências à tudo que fazia a cabeça da galera naquela altura, inclusive jazz e música indiana.

As letras, a maioria do percussionista Jay Ferguson, mostram uma banda antenada com a “era de aquário”. Tem crítica ao consumismo (Fresh Garbage), reflexões sobre a modernidade (Mechanical World), e até um convite à espiritualidade (Uncle Jack). Há umas que misturam tudo isso (Topanga Windows), e outras que entram na lista dos clássicos polêmicos obscuros (Taurus). As melodias de Girl in Your Eyes (está me soando maravilhosa nessa manhã) e Straight Arrow também cativam com facilidade, mesmo não sendo exatamente simples.

O Rhandy California, líder e cabeça da banda, já tinha algum respaldo àquela altura: já tinha passado por uma antiga banda de Jimi Hendrix, e foi até batizado artisticamente por ele (Hendrix que deu o nome Rhandy California). Acredito que ele seja o principal arranjador do grupo, e nos entregou, junto com sua trupe, um dos discos mais interessantes e menos lembrados de 1968. Menos lembrados não porque não mereçam, mas porque a concorrência era grande rsss.



Tá disponível no Deezer, Spotify, Youtube.

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