domingo, 22 de agosto de 2021

Invaders from Mars e The Texas Chainsaw Massacre 2 (Tobe Hopper, 1986): datados mas ok.

Seguindo firme, chego à metade da filmografia do Tobe Hopper, e aqui, um momneto diferente. A aproximação com a TV ficou mais evidente com os dois trabalhos que seguiram o médio/bom Lifeforce (1985). Não sei se foram aqueles anos de 1980, e a alta do consumo massivo de terror adolescente e o dinheiro que esse mercado gerava, ou se foi um período de falta de originalidade que levaram à esses dois trabalhos, mas o fato é que eles não acrescentam muito à filmografia de Hopper. São dois filmes lançados em um ano (1986), que requentam tramas antigas e sem nenhum pingo da força dos trabalhos anteriores. 

Os anos 80 foram anos com características muito próprias (kk),e me parece que todo trabalho "sério" da "arte pop" que vinha sendo produzido até vinha seguindo uma tendência de "crescimento", ou desenvolvimento, desde o nascimento (quase consonante ao advento dessas primeiras tecnologias: rádio, cinema, tv, etc), seguindo o processo de nascimento (até os anos 50), com picos de originalidade e inovação na década de 1960, passando para um processo de amadurecimento e até de simplicação, nos anos de 1970. Algo muito misterioso na década de 1980, onde as coisas começaram a se diluir e a se perder de sua essência. Eu diria que isso é coisa do capitalismo, e que isso passou pro espírito das pessoas. Mas até que o Hopper conseguiu ser razoável.


INVADERS FROM MARS 


Invaders from Mars, por exemplo, é um filme que não precisava. Quando se fala em horror/sci-fi com metáforas de guerra geopolítica eu penso logo em Invasion of the Body Snatchers (1956), que me parece o clássico maior do "tipo". Invaders of mars, no entanto, me parece ser um ensaio sobre o tema. A versão original dessa história foi o lançada em 1953, e, pelo que me parece, foi produzida de forma independente e não adaptada de um livro (mesmo a influência de HG Wells estando muito clara). E isso já conta muitos pontos. 

Na trama, invasores de marte (=p) iniciam uma invasão à Terra, tomando os corpos dos indíviduos. Quem consegue "perceber" que há algo estranho é um garoto, filho de um cientista envolvido com os militares, e sua professora, interpretada pela Karen Black. Juntos, ambos fazem de tudo pra conter a invasão. 

Esse bem sacado enredo viria a se tornar comum no mundo da ficção científica. Foi levado à perfeição em Invasion of the Body Snatchers, ainda naquela década, e sua influência estende até hoje, podendo ser sentida inclusive naquela série Falling Skies (do Spielberg). A ideia de uma ameça subreptícia e o clima de paranoia que se segue rende bons momentos de suspense e algumas reflexões existenciais, nos dias mais inspirados.

Olhando do século 21 rsss tudo parece muito sem motivo, e a produção, apesar de uma boa fotografia, não parece dar o estímulo ao qual estamos acostumados. Pelo menos eu senti isso. Mas a década de 1980 talvez tenha sido um bom momento para resgatar essa história. Tobe Hopper fez o melhor que pode, talvez visando preservar ao máximo a obra original, o que deixou o produto carregado por uma atmosfera de nostalgia desse tipo de cinema (o sci-fi dos anos 50), fonte da qual vários diretores dessa geração (inclusive John Carpenter) parecem ter bebido bastante, e esse olhar da nostalgia parece ser a melhor forma de consumir esse filme nos dias de hoje (o que faz menos sentido ainda nos dias de hoje pois o acesso ao orginal talvez seja mais fácil do que à essa versão).     

Nota: 2.8/5

TRAILER



THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE 2


Lançado no mesmo ano, outra obra requentada, mas dessa vez, de uma ideia própria. Não sei porque cargas d'água Tobe Hopper inventou de retomar essa história (mas acho que sabemos né, afinal, todo mundo fez isso), mas foi aqui que o Leatherface iniciou a carreira como monstro pop, ao lado de Michael Myers, Jason e Freddy Krueger. Aqui também ele pára de ser assustador para o público. 

Na verdade, o Leatherface se apaixona nesse filme. O ego infantil do assassino fica mais saliente ao conhecer uma moça, locutora de rádio, que ouviu ao vivo um dos crimes cometido pela família de psicopatas, e resolveu ajudar um policial (o Dennis Hopper, olha só), na investigação. Nessa sequencia, temos bastante foco na interação entre a família (não recordo o nome deles) de assassinos, mas nada é acrescentado em relação a sua história (a não ser esse pointo sobre o Leatherface, que passamos a ver como mascote da família).

Ainda assim, é um filme razoável. A despeito do personagem do Dennis Hopper (eu não entendi NADA sobre ele) e essa mudança de tom do Leatherface, Tobe Hopper ainda consegue nos impactar com algumas cenas ótimas, como a da invasão da rádio. Quase chega a relembrar os tempos do filme original, mas o tom sério já se foi, e os "climas" que marcaram algumas cenas BOAS do filme original aparecem pouco e sem repetir o impacto de outrora.

Nota: 3,2/5

TRAILER

 

São dois filmes bons que, além de terem ficado datados demais, parecem ter sido feitos a toque de caixa, dando aquela sensação de "ter que produzir algo", com o toque original que todos os outros trabalhos tem se perdendo. O Massacre ainda se sobressai um pouquinho em relação ao Invaders por conseguir, aqui e ali, por QUASE nos trazer de volta a atmosfera de 1974, mas no geral, eu tendo a ver o excesso como prejudicial, fazendo que mesmo uma sequencia tosca, feita so pra cumprir contrato, tire todo o impacto que a obra original poderia causar - se fosse só ela (caso dos Child Play). Eu ainda gosto desses filmes, sempre penso que poderia ser pior rsss.


Ambos os filmes estão disponíveis no Darkflix.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Super Fly (Gordon Parks Jr, 1972): a última dose é sempre a mais difícil.

Ícone da blaxploitation, Super Fly não vai muito longe em termos de história. Conta a história do traficante Youngblood Priest que está, dig...