Não sei porque eu engatei de ver a série Silent Night, Deadly Night. Me parece que rever o primeiro filme depois de tantos anos me fez perceber as possibilidades interessantes que a história "disponibiliza".
O primeiro filme engata um slasher clássico, com serial killer vestido de papai noel - e acho que a primeira ideia do brainstorm que deu origem a esse filme deve ter sido essa - mas o faz com alguma classe. Há toda uma trama psicológica que condiciona os eventos do filme, e que é narrada meticulosamente apontando as causas para os diversos porques que envolvem o papai noel assassino, tornando SNDN já muito diferente dos slashers habituais dos anos de 1980.
Na segunda parte dessa franquia, teríamos um filme razoável não fosse o fraquíssimo desempenho de todos os envolvidos ali: de péssimas atuações até uma direção que opta por reprisar o filme anterior quase inteiro na forma de flashback, mas ok, conseguiu fazer uma ponte entre o primeiro e o intrigante terceiro filme e encerrar essa parte como uma trilogia. E é sobre esse intrigante terceiro filme que quero falar sobre aqui.
Intrigante porque ele é basicamente ume pérola perdida num mar de bobagem rsss E sinceramente não entendo essa sequencia ter a pior votação nos fóruns sendo facilmente melhor que os dois filmes anteriores. Se não fosse atrelado a uma franquia e pudesse ser acompanhado de forma independente (e até pode, se for reparar..), a recepção talvez tivesse sido melhor.
O que temos aqui nessa terceira parte é mais uma mistura de thriller psicológico com slasher, e que ainda consegue se conectar com os fatos dos filmes anteriores, apesar de a produção já dar claros sinais de querer mudar o objeto da franquia. O que me parece é bolaram essa trama como última tentativa de salvar a série, e o diretor pegou esse limão e conseguiu fazer uma bela limonada.
Nesse episódio, o irmão mais novo do papai noel assassino, Ricky, o que protagonizou o segundo filme, está agora em coma, enquanto é usado por um neurocientista como ferramenta para auxiliar nos tratamento de uma garota com deficiência visual, mas que parece ter estranhos dons psíquicos. Sim, quando vc olhar para atriz, a semelhança com o Phenomena (Dario Argento) aumenta.
O objetivo da experiência é conectar ambos os personagens por meio da mente, o que acontece e desperta o assassino do coma. A partir daqui, o que temos é uma deliciosamente tensa perseguição ao estilo Michael Myers vs Laurie Strode, com um pouco menos de voyerismo e mais de sensibilidade extra-sensorial. As atuações e o roteiro aqui, senão ótimos, ao menos razoáveis, fazem toda a diferença na hora de nos envolver com a trama, sem forçar situações ou diálogos inverossímeis. Tudo muito "normal".
A série SNDN a meu ver, carrega muito forte essa marca de "criminosos fugitivos de manicômios", que sempre carrega boas possibilidades para o suspense psicológico, mas que se perde na correria dos slashers. SLDN III se sobressai nessa primeira trilogia por conseguir administrar um tom "correto" para equilibrar um suspense sutil e o slasher, sem cair na bobagem adolescente. Eu fiquei muito feliz com esse filme, é o melhor da série até agora.
Nota: 4/5
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