Natal né, resolvi me estender um pouco mais sobre esse clássico natalino sobre o qual falei tão pouco em outra postagem. Trata-se de um filme que dizem ser um pouco mais "obscuro" que os hits da década de 1970, e isso, muito em parte, por se tratar de uma produção canadense, em parte por ser um daqueles bons filmes "sérios" daquela época, um filme que ainda preza pela coerência no roteiro e dispensa um bom trabalho na criação dos personagens, que, se não fogem dos estereótipos, pelo menos convencem.
A trama é baseada, dizem, numa série de crimes que ocorreram em Montreal naquela época, e também em lendas urbanas locais, numa em particular envolvendo um assassino escondido dentro da casa da vítima. Nisso, o que vemos na tela é um bom slasher, antes mesmo de esse gênero se tornar popular. Antes disso, era o cinema italiano que se debruçava com mais expertise em tramas investigativas com assassinos seriais, perseguições e muito mistério. Mario Bava já pintava esse quadro desde a década anterior, e os contemporâneos Lucio Fulci e Dário Argento seguiam esse rastro.
Em Black Christmas, entretanto, temos outro tipo de apelo. Deixando de fora os detalhes que definitivamente marcam o cinema de terror italiano, como a estética em que se sobressai o gore e muita violência "gráfica", Black Christmas nos envolve com seu clima melancólico, próprio talvez das celebrações natalinas das quais decorrem toda a trama. O clima de despedida, férias e de finalizações que envolvem o casarão da fraternidade feminina é mesclado com suas cores escuras, mobiliário antigo, e um grupo de garotas nada infantilizadas ou alienadas, que é o que costumamos esperar em filmes que se passam nesse tipo de ambiente.
O desaparecimento de duas garotas joga uma sombra de terror sobre a comunidade, e os estranhos telefonemas recebidos por uma das protagonistas podem ajudar a solucionar esse mistério. Até a solução desses desaparecimentos, somos presenteados com boas cenas de suspense, que podem parecer até mais interessantes do que o que é mostrado na maioria dos filmes desse gênero na época, visto que as informações nos são passadas de forma mais sutil, sem tanto exagero gráfico.
Os personagens também conseguem nos envolver com tramas nada pueris, e é muito interessante ver a personagem de Olivia Hussey (Jess) em cena. Apesar de jovem, Jess encarna uma postura firme e decidida tão logo as coisas começam a complicar. Ela "resolve" tudo nesse filme, sem perder o pulso e as rédeas da situação. Suas colegas também não são muito diferentes, nos fazendo perceber ali um grupo de garotas de alma política e atenta às questões de sua geração. O esquema de fraternidade aqui é levado de forma muito responsável pelas garotas.
O filme segue uma linha investigativa comum a maioria desses filmes, com um investigator seguindo os rastros do criminoso enquanto a protagonista tenta sobreviver aos seus sucessivos ataques. O clássicão John Saxon marca presença aqui como o investigador chefe responsável pelo caso, o que por si já é algo interessante, visto que o ator já participava de produções do gênero (pelo qual se tornaria mais conhecido), lá na primeira metade da década de 1960, nas produções de mario Bava. Vão sem medo que Black Christmas dá rock!
Nota: 4,2/5
Filme completo no Youtube (Dublado)
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