Sempre surge um novo filme de exorcismo pra confirmar que esse subgênero, um dos mais rentáveis do terror e que até hoje é carregado nas costas pelo sucesso d'O Exorcista do Willian Friedkin, não tem mais pra onde ir. Por mais que muitos filmes novos tragam uma novidadezinha aqui e outra ali, nada é ousado o suficiente pra destacar um novo clássico sobre exorcismo. O novo Exorcismo Sagrado (El Exorcismo de Dios), ainda em cartaz nos cinemas, é mais um dessa leva, que promete muito e entrega pouco. Mas o que entrega, é bom.
A produção mexicana tem a direção de Alejandro Hidalgo, e narra a história do padre Williams (Will Beinbrink), pároco estadunidense que atua junto a uma comunidade no interior do México, e que é chamado para realizar o excorcismo de Magali (Irán Castillo), que está possuída pelo demônio Balban. Durante o ritual, o padre é possuído e tem relações sexuais com Magali. Anos depois, isolado pela culpa (por ter cedido aos caprichos do capiroto e violentado a moça), ele guarda o estupro em segredo, até que é chamado para realizar um novo exorcismo, e o passado precisa vir à tona.
O grande mérito desse El Exorcismo de Dios (o título original faz mais sentido que o brasileiro, como sempre) é trazer uma nova abordagem acerca da velha batalha entre bem e mal, dicotomia na qual essas histórias são completamente afundadas. Aqui, temos uma outra perspectiva sobre a dimensão que as articulações do demônio tomam após ingressarem sorrateiramente no mundo "dos vivos" por meio de possessões pontuais. A crítica à Igreja Católica é forte, e esse olhar pode ser trabalhado com mais força em produções futuras.
A trama de Hidalgo, que também é um dos responsáveis pelo roteiro, é bem boa, e a história do padre Williams e de Magali são bem desenvolvidas. Mas o filme peca na sua condução, exagerando nos clichês/"homenagens" (principalmente no segundo ato) e transformando um ritual de exorcismo num ataque zumbi (algo também ousado, se formos pensar). E apesar de um segundo ato morno que testa nossa paciência, o filme inova com um terceiro ato bem diferente e até eletrizante.
El Exorcismo de Dios é uma das várias e levemente criativas produções mexicanas que vem sendo lançadas nos últimos anos e ganhando espaço, principalmente nas plataformas de streaming. Alejandro Hidalgo trata de se livrar do fantasma d'O Exorcista de Friedkin (um encosto, que faz ele repetir até a fotografia do filme clássico) e busca um caminho ousado e diferente, ainda que falhe em muitos momentos, mas isso faz parte. Só de dispensar a fórmula consagrada pelo Friedkin logo no primeiro ato já é um grande avanço e vale a conferida.
Nota: 3,8/5
Ficha Técnica
Título original: El Exorcismo de Dios
Ano de lançamento: 2022
País: México
Direção: Alejandro Hidalgo
Roteiro: Santiago Fernandez Calvete, Alejandro Hidalgo
Elenco: Joseph Marcell, Maria Gabriela de Faria, Will Beinbrink
Trailer:
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