O filme Pássaro Sangrento é um slasher no mínimo diferente da maioria. Não só por ser italiano. Da mesma maneira, não se pode associá-lo ao giallo, sendo mais adequado, de fato, ligá-lo à “escola americana” de slashers. Pode se até considerá-lo uma boa mistura dos dois, já que repete as fórmulas do estilo americano mas é realizado com o apuro técnico característico, beirando o artístico, do giallo.
Na história, um grupo de teatro numa intensa maratona de ensaios de uma peça que deverá estrear em breve tem seu trabalho sabotado por um serial killer que acabou de fugir de uma clínica psiquiátrica. O maníaco tinha acabado de ser recolhido, e logo cismou e fugiu em perseguição a uma das atrizes que, de passagem rápida pela clínica, cruzou seu olhar com o assassino tornando-se sua nova obsessão.
A trama não é exatamente inovadora. O que garante um bom entretenimento aqui é a manha do diretor Michele Soavi para criar ambientes e atmosferas. Conduzidos por sua câmera que percorre todos os espaços do enorme teatro onde se desenrola boa parte da ação, somos envolvidos por aquela trupe de atores, com seus problemas, aborrecimentos e medos genuínos, tão logo a ação se inicia.
Apesar de usar uma máscara que não possibilita a sua identificação, à moda dos slashers americanos, aqui o mistério sobre a identidade do assassino não existe, com sua grande máscara de coruja criando um forte apelo visual para o filme, e que de forma alguma, dado o contexto em que a trama se desenvolve, soa forçado ou deslocado. Sem maiores mistérios sobre a identidade do assassino, sobra tempo e espaço para o suspense criado a partir da perseguição do assassino aos jovens atores, o que rende ótimas cenas.
Os personagens também ganham por serem críveis e fugirem absolutamente do estereótipo clássico, e se o extermínio do elenco pelo cara de coruja se dá de forma rápida e agressiva, o terceiro ato se inicia basicamente como um número solo da final girl da rodada, que durante a meia hora final do filme percorre os espaços vazios do teatro e luta de forma genuína pela sua sobrevivência.
O Pássaro Sangrento é um dos bons slashers dos anos 1980. Curioso como, pelo que ando percebendo, os piores filmes vem daquelas franquias mais aclamadas (Sexta-Feira 13, Halloween, etc), sendo esses produtos isolados, perdidos debaixo da fama imerecida de algumas sequências toscas de franquias famosas, verdadeiras pérolas que, mesmo nos dias de hoje, correm o risco de cair facilmente no esquecimento geral. O Pássaro Sangrento é uma dessas pérolas que merecem um pouco mais de visibilidade, pois além de bem elaborado, garante uma diversão que não nos aborrece. O filme tá disponível na plataforma Darkflix.
Nota: 3,8/5
Ficha Técnica
Título original: Delíria
Ano: 1987 - País: Itália
Direção: Michele Soavi
Roteiro: George Eastman, Sheila Goldberg
Produção: Joe D'Amato, Donatella Donati
Elenco: David Brandon, Barbara Cupisti, Domenico Fiore, Robert Gligorov, Mickey Knox, Giovanni Lombardo Radice, Clain Parker, Loredana Parrella, Martin Philips, James Sampson
TRAILER:



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