sábado, 23 de abril de 2022

Pânico 2 (Wes Craven, 1997): forjando Sidney fuckin' Prescott.


Pânico 2 foi o filme que me “engatou” no mundo do terror. Em 1998, ano de seu lançamento, eu já era vidrado em terror mas Pânico 2 me veio como me vem minha banda favorita, reunindo tudo que eu gosto nesse tipo de produto num combo só, e mesmo com algumas “gafes” cenográficas e de roteiro perdidas na trama, é um filme que, após anos de fandom, pode-se perceber que esconde o ouro da franquia.

Essa primeira sequência de Pânico segue a linha da obra original. Alguns anos se passaram, e Sidney Prescott (Neve Campbell), agora na universidade vivendo perdida entre as bolhas fúteis dos grupos jovens universitários, deve encarar mais uma uma série de assassinatos que começam a acontecer ao seu redor. Imediatamente entram em cena a dupla Dewey Riley (David Arquette) e Gale Weathers (Courtney Cox), e o resto é o que já sabemos.

Esse filme é marcante por diversos motivos, seja pelas boas cenas de perseguição, seja pelas mortes de grandes personagens da franquia. O argumento, caindo na “boa e velha vingança” também não fica feio em um filme que, dentro de uma trilogia, funciona como uma ponte que liga o primeiro filme ao terceiro aprofundando no desenvolvimento dos personagens principais, algo que inclusive define a participação deles nos filmes futuros da franquia (do Pânico 4 em diante).

O destaque aqui vai para a trama de Sidney, cuja persona “guerreira” começa a ser moldada, forjada. Ainda muito afetada pelos incidentes do primeiro filme mas tentando não pensar muito nisso, Sidney encontra no teatro a válvula de escape para o medo que ainda carrega consigo, junto ao pressentimento de que a sua história com o Ghostface ainda não acabou. Não sem razão, pois o destino faz dessas nos filmes e na vida real, Sidney está em vias de interpretar a vidente Cassandra numa peça, personagem trágica da mitologia grega que perdeu todos ao seu redor por encarar o próprio destino, quando os ataques do Ghostface reiniciam. Neve Campbell está ótima com essa versão da Sidney, dando os primeiros passos em direção às características que marcariam sua vida e a tornaram na Sidney Fuckin’ Prescott, final girl amadurecida que hoje todos respeitamos, hehe.


Gale Weathers é outra personagem que dá uma guinada “moral” nesse capítulo ao se deixar levar com o amor de Dewey. Também fica cada vez mais clara a importância de Gale para a franquia: ela é o motor da história e é o que faz a trama correr. Apesar das abordagens violentas contra a Sidney (como na cena em que, do nada, após anos sem tocar no assunto, Gale põe o suave e maçante Cotton Weary ca a cara com Sidney para que se confrontem, coisa de repórter maluca!) e da ambição chata e exagerada, é interessante ver como a relação dela com Sidney se desenvolve, com suas vidas se ligando intimamente à medida que os anos passam (e a medida que sobrevivem).

O elenco, aliás, é o puro suco do terror teen da década de 1990: Jada Pinkett Smith, arrasadora e já sendo quem hoje bem conhecemos na, mais uma vez, excelente, cena de abertura; Timothy Olyphant e Joshua Jackson como os nerds de cinema amigos de Sidney, Rhandy, o guru espiritual da série interpretado mais uma vez pelo saudoso Jammie Kennedy, e Sarah Michelle Gellar, numa misteriosa participação que não diz a que veio, mas que sabe-se lá por que garantiu seu nome na frente de todos os outros atores que participam do filme quando os créditos sobem, com exceção do trio principal. (desconfio)


Fora isso, o filme é carregado de cenas memoráveis, ora muito bem embaladas pelas trilhas de suspense de Marco Beltrami, ora pela música assombrada Red Right Hand de Nick Cave and The Bad Seeds, canção que "ilustra"tão bem o clima sádico com que as ondas de assassinatos são recebidos pela “gente jovem” local.

Digna de menção também é a abertura desse segundo filme, boa e bem sacada, já iniciando os trabalhos com a metalinguagem, uma das características mais marcantes da franquia. Essa cena pode até ser equiparada a clássica abertura do filme original (quase um filme dentro do filme). Outras sequências são igualmente marcantes, com destaque para a cena da sala de vídeo onde Gale e Ghostface protagonizam uma das cenas de perseguição mais legais e elétricas de toda a série, e para a cena de Rhandy ao telefone com o Ghostface no parque. Rola um papo bem forte ali.

Como parte da franquia, Pânico 2 talvez até supere o original e parece se tornar melhor com o tempo. Após anos, sabemos como a trama se desenrola, e se torna gostoso demais rever o velho time ali em pleno desenvolvimento, com Sidney e Gale, principalmente, confrontando os fantasmas do passado e encarando corajosamente seus destinos.

Nota: 4,2/ 5



Ficha Técnica

Título Original: Scream 2
Ano de lançamento: 1997
País: Estados Unidos
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Produtora: Konrad Pictures, Craven-Maddalena Films
Elenco: Neve Campbell, Courtney Cox, David Arquette, Jammie Kennedy, Timothy Olyphant, Laurie Metcalf, Elise Neal, Liev Schreiber

Trailer: 

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