segunda-feira, 29 de junho de 2020

Sirenia - Perils of The Deep Blue (2013)


Sei lá por que cargas d'água eu tô ouvindo a discografia do Sirenia essa semana (mentira, eu sei porque), mas eis que me deparei com essa pequena maravilha do tão desvalorizado (pelos outros e, principalmente, por si mesmo) metal gótico - aqui no caso, sinfônico também - chamada Perils of the Deep Blue. O trabalho marca um retorno da banda "às origens" - mais precisamente à sonoridade dos dois ótimos primeiros álbuns, que diga-se de passagem, são muito bons mas meio cópia do que o Tristania fez em seus primeiros discos. Inlusive, o cérebro por trás do Sirenia é um ex-Tristania. Pois é. rsss

Enfim, a questão é que a banda retomou a compostura com esse disco. Eles vinham perdidos, desde o terceiro disco de estudo, em sonoridades mais acessíveis, vocais muito adolescentes por parte da vocalista da vez (nunca sei quem é, pois sempre muda, mas nesse disco é a Ailyn, cantando maravilhosamente, soando 'a cara' da banda), músicas medianas que fizeram a banda ser só mais uma dentre a avalanche de bandas do mesmo estilo que estavam pipocando na mesma época. 

Perils of Deep Blue é uma pérola que essa sereia estava escondendo e esperando sei lá o que pra nos entregar. O primeiro single, Seven Widows Weep, é uma história de horror "de pescador" derramada com toda a força em nossos ouvidos, uma música que tem absolutamente tudo o que um bom fã do estilo faz questão de ouvir nesses trabalhos. É um single poderoso que flerta pesado com o power metal, e que me faz pensar que a banda se sairia bem se ousasse por esse caminho. 

Mas, de cara já na segunda faixa eu faço uma ressalva: as letras melhoraram muito. Não sei como andava a parte lírica ali a partir do Nine Destinies and a Downfall (2007), mas as letras do At Sixes and Sevens (2002) e do An Elixir for Existense (2004), por mais gótico que sejam, tinham um gosto muito duvidoso. É o tipo de som que flagramos saindo pelo fone de ouvido dos suicidas, coisa que não vemos no Perils.

Aqui, as letras continuam escuras, falando de sentimentos de "baixa vibração", falando nesses termos, mas de forma mais poética e menos explícita e provocadora que nos dois primeiros álbuns. Há até espaço pra histórias de horror, como é o caso da Seven Widows. Stille Kom Doden é a mais longa e possui variações de clima intereressantes, podendo render até alguma trip aos mais dispostos. Ditt Endelikt é outro destaque interessante, não só por ser cantada em norueguês, mas por fugir de leve do padrão da banda. Dentro do padrão, A Blizzard is Storming é uma boa pedida, com atmosfera, pegada e algum poder. Blue Colleen, que vem como bônus em algumas edições, também seu charme. 

Enfim, é um disco "da hora", podem ir sem medo, se é disso que vocês gostam. Vocais limpos arrasadores, gulturais idem, e corais, nossa, os corais,mais idem ainda! - o coral, aliás, é um  dos atrativos do Sirenia pra mim. A minha ressalva quanto aos discos do Sirenia é quanto a duração, os discos facilmente ultrapassam os 60 minutos. Se a qualidade não se mantém lá em cima, fica difícil manter a atenção. No caso desse álbum, em específico, o saldo geral é acima da média, até porque as músicas fazem você sacudir de alguma forma, mas eu recomendaria cuidado nisso.  


Seven Widows Weep

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