Eis aqui um dos encerramentos de série mais louváveis. Deep Space Nine nos entregou o que a franquia Star Trek poderia nos oferecer de melhor, e com um final digno daquilo que nos foi tão bem apresentado ao longo de sete anos.
Eu não sei o quão perceptível é ou propositais são os subtextos da franquia Star Trek, mas DS9 matou a pau no tratamento aos temas religião, fé, Deus, e tudo aquilo que está além da nossa compreensão racional (e toda os sistemas de dominação provocados pelo fanatismo que se seguem). Esses temas são levantados aqui de forma protagonista, não apenas pela trama bajoriana, povo cuja sobrevivência está literalmente nas mãos de seres "extrabajorianos" mas que são vistos como deuses, mas pela própria analogia que se pode fazer entre o Dominium e aquilo que entendemos comumente por Deus. A dominação (opa) prospectada pelo deus dos Vorta para recuperar seu filho perdido (Odo) é um exemplo claríssimo de como esse tema é discutido e chega a ser proeminente em toda a série.
Sem dar muitos spoilers, o destino de todos os personagens seguiu de forma coerente. O único ponto aqui é a entrada de Ezri Dax, como a nova Dax. Muitos episódios voltados pra ela, numa tentativa de consolidar ela como personagem na reta final da série, mas ela se saiu bem. Menos dura e sarcástica que Jadzia, a sensibilidade de Ezri surpreende aqui e ali com decisões fortes e diretas, bem refletidas, ao contrário de Jazdia que era dada a arroubos de rebeldia (sempre emocionais).
Sinceramente, achei que depois de The Next Generation, seria só ladeira abaixo pra essa franquia, cheia de altos e baixos. Mas DS9, com seu formato original (ao se passar em uma estação espacial), possibilitou uma nova gama de situações, interações, e aprofundamento de temas e conflitos diplomáticos, algo que a série sempre bateu muito. Ao contrário de TNG, mais idealista, em DS9 perdemos a inocência em relação à Federação, e percebemos os caminhos subterrâneos que os meandros da diplomacia implica. Esse clima mais soturno é percebido até na fotografia da série, sempre em tons escuros, e nos roteiros profundos e densos.
Essa última temporada também tem seus episódios brilhantes, seus fillers, mas no geral, é uma temporada bonita, resolutiva, que encerra a série de forma coerente e sem decepcionar. Fica muito claro porque essa série é tao apreciada pelos fãs roots de Starr Trek, e desde já ficamos no aguardo de sua possível continuação, já anunciada como Star Trek: Sisko.
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