segunda-feira, 9 de novembro de 2020

The UFO Incident (1975)

Em mais uma das coincidências ou manifestações do fluxo divino que "enfeitam" a minha vida rssss após ter passado um dia absorvido em um papo com uma amiga sobre hipnose e transmutação mental programada, e ter me iniciado no estudo da ayurveda por meio do livro "Uma Visão Ayurvédica da Mente" que me chegou pelos correios coincidentemente nesse mesmo dia, na noite de ontem escolhi no aleatório um filme sobre abdução alienígena no youtube, e eis que o filme trata basicamente dos conflitos mentais gerados por esse tipo de contato na mente dos contatados. Como não poderia deixar de ser (e até poderia), a narrativa é contada através das sessões de hipnose (olha só) do casal Betty e Barney Hill.

Para quem não sabe, assim como eu que só fiquei sabendo ontem, o filme The UFO Incident foi lançado exclusivamente para TV em 1975, e conta a história real dos Hill, casal norte americano que alega ter sido abduzido por alienígenas em 1961. A narrativa foca nos distúrbios provocados pela abdução, como a perda de memória, em sessões de hipnose que resgatam não apenas a memória como também o equilíbrio e felicidade do casal.

O que me chamou atenção no filme não foi nem tanto a questão da absdução, mas a sensibilidade com que foi abordada certas questões que dificilmente são lembradas nesse tipo de filme. Para além da confusao mental que a visão de seres extraterrestres possa causa nos contados, há nesse caso específico diversas nuances que tornam a jornada destes mais angustiantes. 

Primeiro porque se trata de um casal interracial vivendo em um subúrbio branco norte americano no início da década de 60. Só isso já é o suficiente para deixar a estabilidade dos protagonistas a flor da pele, não sem motivo. O tempo todo a narrativa lembra as situações de racismo vivenciadas por Barney, que é negro, na infância, e a dificuldade que é mudar de ambiente para ficar com a esposa, que é branca, morando num bairro branco, com amigos brancos, colegas de trabalho brancos, e por aí vai. Dizer que foi abduzido por aliens não ajuda muito na inserção em uma comunidade que o respeita mais por conformidade social que por sentido humanidade.

Betty Hill já tem outras questões. Ela não compartilha dos medos e paranoias derivados das questões raciais que o marido enfrenta, e apesar de bem intencionada, tem todas as limitações que uma cultura estruturada no racismo impõe inclusive às melhores pessoas. Ainda, ela se acha feia, tem autoestima limitada, e isso associado à informação de que ela é assistente social e ao restante do contexto que envolve o marido me faz olhar torto para os interesses pessoais dela. Mas não chega a ser uma pessoa de caráter totalmente questionável. Ambos tem história pregressa, casamentos anteriores, filhos, são relativamente felizes, e vivem uma relação bonita e sensível fundamentada no apoio mútuo. 

A parte "alien" do filme remete aos melhores clássicos do gênero (pra mim), como Intruders e Fire in the Sky. As sessões de hipnose são uma delícia a parte de acompanhar. O terapeuta que os acompanha é muito sensível às questões de cada um e não as deixa de fora do processo de análise, algo que, inclusive, complica chegar a uma resolução definitiva. Ao fim, por exemplo, não se sabe o que é real ou não, mas descarregar as memórias reprimidas foi fundamental para que o equilíbrio do casal voltasse a fluir, e tudo isso é mostrado de forma muito sensível durante todo o filme. 

Conforme o Wikipedia, o Caso Hill, também conhecido como Abdução dos Hill, trata de uma abdução de curto período por um OVNI, sendo esta a primeira alegação de abdução por alienígenas amplamente divulgada, tendo sido, ainda, adaptada em 1966 para o livro The Interrupted Journey. O filme ta completo no Youtube no link abaixo. Quem quiser assitir, não esqueça de curtir o vídeo e  boa viagem.


Filme

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