terça-feira, 16 de março de 2021

I May Destroy You ou como a civilização está destruindo cada um de nós

Impactado com May I Destroy You. Passei os dois dias após concluir a minssérie sem saber o que fazer com "aquilo"; a série definitivamente não poderia ter outro nome. 

Quem é antenado nas redes sociais e se propõe manter-se atualizado quanto aos tópicos do momento (e todos são sociais, se parar pra ver), deve ter percebido que nos últimos dois anos (e continua), o processo potencializado pelas redes sociais, de conectar e dar voz, atingiu picos e salientou paradoxos  que saltam aos olhos quando analisamos o fenômeno em larga escala. As consequencias diretas são sentidas nas nossas vidas individuais, coletivas, na administração da nação, no espírito do tempo. E não é um sentimento exatamente bom. É um momento de transição, mas uma transição que talvez se dê em escala milenar, planetária, e o momento atual ainda é  um estopim inicial, confuso e conflituoso, que requer comprometimento individual e coletivo para ser superado. Mas antes precisamos entender o que acontece, e é aí que o trabalho começa. 

I May Destroy You se sustenta nessas armadilhas criadas por esses paradoxos e idiossincrasias que saltam de nós em instantes cuja intensidade nos impede de refletir e impele à ação antes de qualquer análise. Trata-se de uma história meio biográfica, um drama vivido pela autora Michaela Coel, e que condensa muitas situações e crises que os jovens atuais vivem. A crise social, politica, economica, moral, espiritual, que vem do passado, ainda tão atual, é latente em todos nós, pequenos e frágeis que somos, condicionados a reverberar o que veio antes, por pior que seja em nossa razão. São condicionamentos. Embola nosso discurso e nos atropela, por mais bem intencionados que sejamos.  E na tentativa de fugir dessas imposições sociais que vem desde os primordios civilizatórios, ainda não temos maturidade ou tempo de terapia suficiente para lidar de forma equilibrada com o processo de autopercepção e com nossas revoluções individuais. Até a lida com isso se torna um produto de mercado nos dias de hoje, então a quem estamos enganando, né....

Esse meu comentário é muito global. A série trabalha isso em questões localizadas que são trabalhadas em um roteiro muito rico, complexo, poético, atual, real. 

Recomendo demais. Tem na HBO, e nos torrents da vida...

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