domingo, 5 de setembro de 2021

Poltergeist II - The Other Side (Brian Gibson, 1986): ótima continuação!


É, e mais uma vez eu tendo a sorte de aprender com o acaso. Topei ontem com esse Poltergeist II e coloquei pra assistirmos já avisando que não era um filme muito bom, julgamento imbuído de diversos preconceitos  estilo white people problem, como por exemplo o fato de ser uma continuação. Pra mim, essas franquias sempre detonam a aura da obra original e mudam seu impacto, algo que pode ser bom ou ruim. Dei a sorte, porque é sempre uma sorte ver um filme desses realmente bonzão nessa altura do campeonato, de a primeira sequencia de Poltergeist ser tão boa quanto o filme original. É ainda melhor, na minha opinião. 

Não que a história se diversifique muito da anterior. É literalmente uma continuação, visto que a história anterior não tinha exatamente "acabado". Mas aqui, para além da experiência no ambiente sobrenatural, temos agora as consequencias dessas aventuras no mundo ~ sutil ~ na vida da família de Carol Anne. O núcleo poltergeist da novela também volta com força, apostando menos em efeitos especiais, e mais em tensão e suspense, o que nos proporcionas umas baitas cenas, daquelas hipnotizantes.

Alguns anos se passaram desde os eventos do filme anterior, mas não muitos anos. A família Freeling está tendo problemas com dívidas por conta da perda da casa, e o poltergeist que sequestou Carol Anne anos antes continua à sua procura, materializado na figura de um pastor estranho, pálido e de semblante cadavérico, que passar a rodeá-la como um urubu rodeia um animal prestes a morrer. A analogia serve pois é justamente esse o seu intento: Carol Anne é energia vital pura, e tudo que esse "encosto" precisa para se manter preso à existência terrena. Pelo menos por um tempo.

Dessa vez, nossos amigos contam com a ajuda de um indígena, Taylor, cuja sabedoria norteia a família nos momentos mais obscuros, se transformando num porto seguro para todos em diversos momentos. Principalmente para o pai de Carol Anne, Steve, que passa por uma intensa jornada de "autodescoberta" para lidar com a frustração de não proteger àqueles que ama.

Achei um roteiro maravilhoso, equiparável ao original, quase melhor. A impossibilidade de fuga e o desespero e claustrofobia que acompanham essa realidade leva os Freeling a determinados limites, éticos e morais, nos fazendo contemplar aquilo de nós que o medo traz à tona: nossos preconceitos, nossa carência, nossa impotência. O mal é esperto e articulado, e nos manobra pelo medo. 

Esse jogo de luz e sombra é perfeitamente encenado naquela que VIAJEI que é amelhor cena do filme, quando o pastor Kane encontra Carol Anne pela segunda vez e dialoga com a  família e tenta entrar em sua casa. É de arrepiar!!! Aliás, eu tive que pesquisar para descobrir quem era o ator que fez o pastor Kane, e descobri que é um tal de Julian Beck. Esse cara é um arraso em todas as cenas em que aparece, e nem que seja só pra apreciar sua arte, Poltergeist II é altamente recomendável.

Apesar de manter o elenco original (até a personagem Tangina Barrons volta a dar as caras, numa participação menor), essa sequencia não tem a assiantura de Tobe Hopper e nem do Spielberg, o que é curioso. isso porque a trama não parece forçar tanto pra ser assustadora, e consegue ser de um jeito que o original não consegue. A direção dessa sequencia é de Brian Gibson. Chequei a filmografia dele aqui mas não vi nada que eu conheça, mas esse Poltergeist é um belo item do seu portfólio. 

Nota: 4/5



TRAILER:

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