Alexandre Aja é um nome que vem despontando na direção de horror, e já nos presenteou com alguns bons itens do estilo nos últimos anos. Um de seus mais recentes trabalhos, Crawl, disponível na plataforma Netflix, é mais um exemplo que comprova a crescente qualidade do trabalho realizado pelo diretor francês, que tem se destacado cada vez mais entre os realizadores do gênero.
Crawl, lançado no Brasil como Predadores Assassinos, é qualificado no wikipedia como “natural horror movie”, mais um verbete criado, não apenas para aumentar a lista, agora gigante, de categorizações e subgêneros do terror, mas para designar aqueles filmes em que a natureza surge como principal antagonista da história. O filme narra a história da nadadora profissional Haley Keller (Kaya Scodelario), que vai, literalmente, nadar com jacarés para superar antigos traumas familiares.
A trama começa com o anúncio da chegada do furacão Wendy, na Flórida. Enquanto todos os habitantes de Coral Lake são obrigados a evacuar e fugir da tempestade, Haley, que não tá dando muita moral para o perigo, decide ir à antiga casa de sua família procurar o pai, que está desaparecido. Quando chega em seu antigo lar, descobre o pai gravemente ferido no porão, e um enorme jacaré, responsável pelo ferimento. Um jacaré não, vários. E enquanto a tempestade derruba as casas e destrói tudo do lado de fora, Haley e seu pai, Dave (Barry Pepper), vivem uma intensa e claustrofóbica aventura no porão tentando fugir desses jacarés antes que a tempestade inunde todo o lugar.
A história é simples mas o bom roteiro e direção transformam esse em um filme gostoso e agradável (rsss) de assistir. Num primeiro momento podemos achar que os jacarés são os grandes vilões, mas é uma trama sem vilões. A natureza como um todo dá seu show, visto que a tempestade também tem seu papel, armando todo o cenário para as situações de tensão que se seguem. A dinâmica dos animais (em CGI) também gera muitos momentos positivos: as duas primeiras aparições dos jacarés vem com boas doses de susto, e certamente angaria muitos pontos para o filme junto ao espectador.
A cenografia também é bem realista, aprofundando o estado de catástrofe que, curiosamente, se amplia após os sobreviventes deixarem o porão, um ambiente diminuto se comparado ao ambiente externo. O roteiro elaborado pelos irmãos Michael e Shawn Rasmussen não apresenta grande genialidade mas também não agride. É eficiente ao alinhar os dramas pessoais dos personagens à ação desenvolvida em cena. É redondo, e não deixa muita margem para grandes elaborações.
De um modo geral, Crawl é um bom filme, de um diretor em plena ascensão e que ainda está desenvolvendo sua personalidade. Vindo de uma série de remakes de filmes clássicos (Hills Haves Eyes, Piranha, Maniac, e outros), Alexandre Aja aqui aposta num natural horror, se assim for considerado, que bebe muito da fonte de outros clássicos, como Jaws, não inova, mas oferece o que o estilo tem de melhor. A tutela de Sam Raimi na produção é, a meu ver, garantia de qualidade e diversão.
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