quarta-feira, 16 de março de 2022

A Morte Convida para Dançar (Paul Lynch, 1980): slasher ralo, mas dá pra curtir.


Eu poderia afirmar com alguma segurança que a decadência do gênero “serial killer” no cinema de horror começou com Halloween, curiosamente, um dos trabalhos que julgam marcar o início dessa onda - que virou "slasher". Apesar da praticidade genial que aquela que talvez seja a obra máxima de John Carpenter trouxe, ela veio com uma demanda do público por mais produtos como aquele: rápido, com sustos fáceis, muita carnificina, e um mal que poderia ser ou não imortal. 

Felizmente nessa época, algumas produções, principalmente aquelas que alcançaram grande público, eram realizadas com alguma preocupação com o seu produto final. O hoje clássico Prom Night, ou A Morte Convida para Dançar, é um desses exemplos: veio justamente na onda desencadeada por Halloween, com o mesmo tipo de enredo e até a mesma estrela - Jamie Lee Curtis. 

A trama não poderia ser mais básica: um grupo de crianças, num bullying tosco num prédio abandonado, mata sem querer uma colega, e com medo, prometem nunca tocar no assunto. Como se fosse um Eu Sei o que Vocês Fizeram No Verão Passado infantil. Alguns anos depois, uma estranha figura mascarada e portando um machado passa a assassinar cada um dos envolvidos no acidente.

O enredo é simples mas eficaz, não fosse a escolha dos famigerados bailes de formatura das high schools estadunidenses como pano de fundo para a história. De todos os slashers que já vi, esse é o que mais me inspirou preguiça, vendo dos dias de hoje, devido a bobagem no roteiro, envolvendo disputas de patricinhas pela coroa do baile de formatura e competição por causa de macho. 

Ainda assim, o filme se preocupa em criar um bom clima de suspense, e nos entrega cenas realmente boas (como a morte da suposta vilã da turma de amigos - uma cena de perseguição muito boa, que nos remete ao jogo de gato e rato entre Gale Weathers e o Ghostface em Pânico 2). As tomadas dos ambientes vazios da escola na noite do baile também são de arrepiar. 

O roteiro possui alguma sutileza. É interessante ver como a líder do grupo na infância é colocada como megera na fase “adulta”, e como todas as suas amigas da época do acidente a deixaram e se tornam amigas da irmã (Jamie Lee Curtis) da vítima fatal do acidente. O único garoto da turma, inclusive, passou a ser namorado dela, e vive um tormento interior querendo confessar sua parcela de culpa na morte da irmã da namorada. Sobre ele e os outros, ficamos sem saber se é amizade ou se é culpa, mas o fato é que são eles, os personagens secundários, o que há de melhor nesse filme. Há ainda uma tentativa de inovar no plot final, e até a presença de Leslie Nielsen no elenco, mas mesmo assim o babado não engrena. 

Muitas tramas pueris e direcionamentos tolos, que nos deixa sem saber se o filme quer ser um Embalos de Sábado à Noite ou um Carrie. Jamie Lee Curtis só brilha nos momentos finais e na dispensável cena de dança - coberta de bobagem juvenil. Ao final do filme, fica a sensação de que a tentativa de fazer um slasher na cena disco deixou a desejar, sobrevivendo hoje apenas como “mais um” do período clássico do cinema slasher. Encontra-se disponível no Darkflix e Youtube.

Nota: 3,2/5



Ficha Técnica

Título original: Prom Night
Ano de lançamento: 1980
País: Canadá
Direção: Paul Lynch
Roteiro: William Gray
Produção: Peter R.Simpson
Distribuição: Astral Films
Elenco: Jamie Lee Curtis, Michael Tough, Anne-Marie Martin, Casey Stevens, Judy Cunning, Mary Beth Rubens, Leslie Nielsen.

Trailer: 

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