Na trama, Gary Valentine (Cooper Hoffman) conhece e se apaixona por Alana Kain (a estreante Alana Haim), que sente dificuldade em ceder ao amor do jovem, mesmo com a evidente atração que sente. Um enredo simples, mas recheado de obstáculos, como toda comédia romântica que se preze. A começar pelo fato de Gary ter apenas 15 anos, e Alana, 25. Ela se acha muito adulta para ele, e que merece mais. Sua desorientação na vida, agravada pela influência da família religiosa, colocam-na sistematicamente nas estradas erradas quando se trata de amor. Gary, por sua vez, de criança não tem nada. Ator de programas infantis desde a infância, já possui certa carga profissional e uma vida meio que estabelecida, com os pais trabalhando para sua carreira, e um tino empreendedor excêntrico que não o deixa parar quieto.
Ao conhecer Alana, esta se torna imediatamente sua aliada, parceira de negócios e companheira, ainda que busque outras parcerias românticas por ser “velha demais para Gary”. A ligação entre os dois é evidente, mas como em todos os filmes desse gênero, resiste até o fim antes de se “consolidar”. Ambos carregam seus fardos e anseiam pela liberdade que só o amor parece proporcionar, e enquanto a maturidade libertadora não vem, contra toda a opressão e complexidade que a vida adulta empurra em sua direção, a saída para ambos parece ser a mesma: correr. Fugir.
A despeito do roteiro leve, Licorice Pizza traz consigo todas as características que já marcam as produções de PTA: é um filme um pouco longo, de produção requintada, com uma atmosfera nostálgica que remete a outros tempos e outros lugares. A densidade psicológica, também característica dos trabalhos do diretor, se faz menos presente aqui, mas ainda existe, com a comunicação entre os personagens, e principalmente entre a dupla de protagonistas, acontecendo de muitas maneiras para além dos diálogos "falados" - a marca das conexões verdadeiras.
Do roteiro, pululam referências que nos embarcam numa viagem à California/Los Angeles/Hollywood de 1970, com seus artistas perturbados e tendências excêntricas. Esse cenário é reforçado pela fotografia ensolarada que nos remete diretamente a esse lugar - algo que já foi explorado pelo próprio PTA em outros filmes seus, como Inherent Vice, e a trilha sonora, recheada de clássicos da época, acentua a leveza da trama, tornando o assento do cinema num lugar muito confortável de se estar durante toda a reprodução.
Como já disse, há uma grande expectativa em torno de Licorice Pizza e a possibilidade de três Oscar este ano. PTA já é freguês dos Festivais de Cannes, Berlin e Veneza, mais o prêmio estadunidense nunca veio, e acredito que não vá ser dessa vez (pelo menos não na categoria de Melhor Filme). Licorice Pizza é leve e soa despretensioso, o contrário de grande parte das escolhas da ‘academia’ nos últimos anos, que tem preferidos produções com temas mais polêmicos ou atuais (se o enredo fosse o contrário do que é, com um cara mais velho numa relação com uma garota mais nova, não sei….). Como uma sessão da tarde “chique”, o novo trabalho do PTA é pra se deliciar despreocupadamente, algo sem muitos enigmas a serem desvendados, mas, como sempre, de encher os olhos - e o coração.
Nota: 4,5/5Título original: Licorice Pizza
Ano de lançamento: 2021
País: Estados Unidos
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Produção: Adam Sommer, Sarah Murphy, Paul Thomas Anderson
Distribuição: United Artists, Universal Studios
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