sexta-feira, 25 de março de 2022

O Grande Lutador (Robert Clouse, 1980): podia ser menos comédia e mais ação.

O ano de 1980 marcou a primeira investida de Jackie Chan no cinema hollywoodiano, com o lançamento de The Big Brawl - ou O Grande Lutador, como foi lançado no Brasil. A essa altura, Chan vinha de uma série de produções de artes marciais, todas produzidas em Honk Kong, em que atingiu um reconhecimento razoável com o filme Drunken Master, lançado dois anos antes. 

Para a direção, foi escalado Robert Clouse, que havia dirigido Bruce Lee no clássico “Enter the Dragon'' (1973). Havia a expectativa de recrutar um novo Bruce Lee, e Drunken Master, àquela altura, era um sucesso nos drive-ins e cinemas das Chinatowns norte-americanas. Chan aproveitou a oportunidade e fez sua inserção no cinema hollywoodiano já como protagonista. 

Em The Big Brawl, Jackie é Jerry, filho "espevitado" de um dono de restaurante que é ameaçado pela Máfia de Chicago na década de 1930. Jerry, no entanto, cede à chantagem dos mafiosos (que sequestram sua cunhada), para que participe de um campeonato de luta, onde seu principal adversário será Billy Kiss, um lutador conhecido por dar um “beijo de morte” em seus oponentes. 

Bom, não é um filme que nos oferece o que podemos extrair de melhor em filmes de artes marciais. Alguns clássicos (ou clichês), como o herói do kung fu que deseja vingar seus afetos, estão presentes, mas de forma pouco consistente. O personagem de Jackie é bastante infantilizado, com valores familiares rígidos, e até aí ok. Vejo apenas como falha de roteiro mesmo que ele, com esse perfil, tenha simplesmente ‘deixado pra lá’ a Máfia que ameaçou seus pais, sequestrou sua cunhada e o coagiu após a vitória do campeonato. Um simples “tudo ficará bem agora” dito de longe em meio a uma multidão é suficiente para Jerry, enquanto é aclamado pelo público pela vitória. 

E assim como na maioria desses filmes, o trabalho como um todo é um pretexto para Chan exibir suas habilidades marciais, e ele dá um show, não apenas em cenas de luta mas em outras, como a cena de abertura em que ele resolve escalar as estruturas de uma grande ponte onde corre um grande tráfego de veículos, apenas para se exibir para sua namorada loira. 

Chan também atuou como “action director” nesse filme, apesar de que, pelo que pesquisei, ele tinha menos controle sobre as cenas de ação do que tinha em suas produções de Honk Kong. O tom de comédia é bastante acentuado, sendo as cenas de lutas os principais momentos de humor do filme. 

Jackie Chan teria utilizado o reconhecimento gerado pelo seu ingresso em Hollywood para bancar novas produções em Honk Kong. Ainda em 1980, ele escreveu, dirigiu e atuou em The Young Master, sendo seu primeiro trabalho para a produtora Golden Harvest. Nos Estados Unidos, o tom de comédia marcou boa parte de sua filmografia, e esse The Big Brawl é um bom exemplo da direção que seu trabalho tomou nos EUA, ainda que não seja o melhor.

Nota: 2,8/5




Ficha Técnica


Título original: The Big Brawl

Ano de lançamento: 1980

País: Estados Unidos

Direção: Robert Clouse

Roteiro: Robert Clouse

Produção: Raymond Chow, Fred Weintraub

Distribuição: Golden Harvest (Honk Kong), Warner Bros. (EUA)

Elenco: Jackie Chan, Kristine DeBell, Mako, Ron Max, David Sheiner, Rosalind Chao, H.B. Haggerty


Trailer

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