A Morta-Viva, do cineasta francês Jean Rollin, é um filme de “zumbi” bem diferente dos demais. Lançado em 1981, após uma carreata de filmes, obras de nome como George Romero e Lucio Fulci, que solidificaram o subgênero dentro do mundo do horror, o representante francês já inova ao apresentar uma abordagem mais melancólica e existencial, rompendo alguns padrões que haviam sido recentemente impostos.
Tudo começa quando dois ladrões de ocasião invadem uma cripta no subsolo de um castelo francês, onde estão os mortos da família no local com a pretensão de encontrar alguma joia ou objeto de valor nos caixões. Eles também carregam consigo, não se sabe porque, um galão de material tóxico, que convenientemente é derramado e atinge um dos caixões, o que jaz a última falecida da família, a jovem Catherine Valmont. Esta, retorna a vida com um desejo insaciável por sangue humano.
A partir daqui, o filme se distancia de seus semelhantes, e foca no processo de “tornar a vida” da morta, que aos poucos e com a ajuda da irmã, começa a retomar a vida orgânica, com todas as memórias e vivências, as antigas capacidades (de quando viva) e uma autoconsciência que é o que diferencia A Morta-Viva de todos os filmes de zumbis. A interessante relação de Helene com a irmã morta-viva também é um destaque, visto que a sede de sangue da irmã parece despertar algum impulso assassino despertado pelo medo da perda da irmã, também amiga e companheira.
A Morta-Viva é um representante tido como “menor” da filmografia de Rollin, com menos efeitos gráficos e mais ambientação do que seus outros trabalhos. Vale a pena pelo olhar diferente sobre um subgênero que dificilmente sai do lugar comum, especialmente nos dias de hoje.
3,5/5
Titulo: La Morta Vivante
País: França
Ano: 1982
Direção: Jean Rollin
Elenco: Marina Pierro, Françoise Blanchard, Carina Barone




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