domingo, 21 de junho de 2026

Torso (I corpi presentano tracce di violenza carnale, 1973): Sergio Martino deixando marcas de violência por aí.


Mais um delicioso giallo de Sergio Martino, e com tudo o que o fã do gênero tem direito: doses cavalares de sangue jorrando, perseguições de gelar o corpo, mutilações, e um dos títulos mais legais entre as produções do gênero:  I corpi presentano tracce di violenza carnale, sem dúvida um título extraído do lead (rsrs) sem maiores significações subjetivas.

a história, por sua vez, já nem surpreende tanto: assassino mascarado "caça" grupo de amigas e todos em contato com elas são suspeitos, especialmente os homens. Torso parece ser um "ápice" de Sergio Martino. De extensa filmografia, o diretor já passeou por todos os estilos populares da Itália, e encontrou no giallo e no "filme de canibal" dois filões muito caros e que lhe rendem graças dos fãs de horror até hoje.

Torso, no entanto, não vai longe em história ou produção. Apesar de bom, é só mais um produto desse período que já é quase um baú sem fundo de boas produções. Os melhores momento são as cenas de perseguição, especialmente no ato final quando o jogo de gato e rato fica explícito e encaminha para a conclusão. As diversas formas como se evita revelar o rosto do assassino em suas obscuras aparições também chamam atenção, recurso com o que vi recentemente no ótimo Veneno para as Fadas, clássico oitentista mexicano.

No quesito exploração, Sergio Martino também é conhecido e seu Torso não deixa a desejar quando se pensa em nudez e violência gráfica. O aspecto "mutilador" do assassino, apesar de não ser mostrado explicitamente, se destaca em meio as mortes. O uso da máscara pelo assassino deve ser um fator que faz a internet afora associar Torso a um precursor do slasher, e mesmo chamá-lo de "proto-slasher", definição que acho até forçada, senão enquadraríamos todos os gialli nessa. 

Enfim, é um filme legal, mas mais indicado aos fãs do gialli e horror de forma mais aprofundada. 

Titulo original: I corpi presentano tracce di violenza carnale
País: Itália
Ano: 1973
Direção: Sergio Martino
Elenco: Suzy Kendall, Tina Aumont, Luc Merenda, John Richardson


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A Ilha dos Homens-Peixe (L'isola degli uomini pesce, 1979): diversão leve inspirada no clássico.

O diretor italiano Sergio Martino é bem conhecido não só pela sua boa contribuição em gialli para o catálogo cinematográfico de horror, mas também pela versatilidade de suas produções. Ele já passou por basicamente todos os gêneros populares de cada época, sendo seus trabalhos no horror aqueles mais reconhecidos pelo público.

A Ilha dos Homens-Peixe é uma produção já avançada em sua filmografia, e bebe em fontes que imprimiram ideias que se mantém no imaginário horrorífico até os dias de hoje. No longa, ele bebe muito de A Ilha do Dr. Moreau, mas fazendo um “recorte” na variedade de possibilidades criando um trabalho que remete aos clássicos sci-fi da década de 1950.Na trama, um grupo de náufragos de um navio-prisão encontra uma ilha habitadas por nativos que trabalham (são escravizados) por um inescrupuloso cientista, interpretado pelo ótimo Richard Johnson.

O capitão do navio naufragado, Claude de Rosse (Claudio Cassinelli), acaba se tornar o único sobrevivente da embarcação e se vê preso na teia de experimentos feitos pelo cientista louco que, à moda do Dr. Moreau, transformou os nativos em homens-peixe, que ele controla visando a conquista de um tesouro que se encontra perdido numa cidade submersa existente nas proximidades da ilha.

História simples, divertida, realizada de forma eficaz, que não é nenhuma pérola do gênero mas diverte. Vai soar como trash para alguns, mas é sobre. 




Titulo original: L'isola degli uomini pesce País: Itália Ano: 1979 Direção: Sergio Martino Elenco: Barbara Bach, Claudio Cassinelli, Richard Johnson, Joseph Cotten

terça-feira, 16 de junho de 2026

Bugonia (2025): excêntrico e muito bom!

Finalmente criei coragem pra ver o tal do Bugonia, do Yorgos Lanthimos. Andava com preguiça do estilo do diretor. Gosto do que ele tem a dizer mas depois de alguns filmes, a forma perdeu o impacto e a expectativa que joguei em cima dos dois últimos filmes dele foi na verdade de cansaço.... Mas ainda bem que deixei esse pensamento de lado e fui curtir esse Bugonia, que me deixou bem feliz à medida que aquela história louca se entortava pelos absurdos daquele protagonista Teddy incrivelmente interpretado pelo Jesse Plemons! O cara está incrível!

Emma Stone também sempre muito boa em cena. Faz aqui a CEO de um complexo farmacêutico que é sequestrada por um Plemons conspiracionista ufologista e que tais daqueles que dificilmente alguém consegue levar a sério. O cara age em dupla com um primo, a quem ele influencia com suas histórias sobre extraterrestres infiltrados entre os humanos, e está convencido de que Michelle (Emma Stone) é uma alienígena. 

Bugonia não é tão denso quanto outros filmes do Lanthimos, mas assim como outros, traz uma carga psicológica pesada, especialmente refletida nos diálogos e tensões entre os dois protagonistas monstruosos (no bom sentido) em muitos momentos. O título do filme faz referência a uma antiga crença grega de que abelhas são capazes de nascer espontaneamente do cadáver de vacas. A ideia serve de ponte para Lanthimos fazer sua crítica social à modernidade, ponte que ele derruba nos minutos finais para uma última risada sacana.

A música também chama atenção. A trilha incidental orquestrada, de Jeskin Fendrix, já é característica nesse tipo de pegada que o Lanthimos tá deixando ali. Algo meio como o Paul Thomas Anderson mas mais exagerado. Enquanto em PTA a música cresce em sintonia com o acontecimento chegando a um ápice, aqui ela se apresenta no susto e só depois se revela. Algo meio Yorgo Lanthimos mesmo, rsrsrs.

Andam falando por aí que Bugonia é "tecnicamente um remake", ou apenas muito inspirado em um filme coreano de ficção científica/comédia chamado "Save the Green Planet", dirigido por  Jang Joon-Hwan e lançado em 2003. A sinopse oficial desse fala de um jovem que sequestra um farmacêutico poderoso que ele acredita ser, na verdade, um alien. Eu fique a fim de conferir. 

Bom, Bugonia vale o rolê. 


Titulo original: Bugonia 
País: Reino Unido
Ano: 2025
Direção: Yorgos Lanthimos
Elenco: Jesse Plemons, Emma Watson, Aidan Delbis, Alicia Silverstone, Stavros Halkias

domingo, 14 de junho de 2026

Eu sou a Lei (I, The Jury, 1982): thriller policial testoterônico quase noir.

I, The Jury é um thriller policial dirigido por Richard T. Heffron e lançado em 1982. Com muita ação frenética e mistério, o filme conta a história de um detetive que tem seu colega, também policial, assassinado em uma trama que, como viria a descobrir, era maior e mais complexa do que ele supunha.

Com a presença de Armand Assante no elenco interpretando o detetive justiceiro Mike Hammer, o filme faz as vezes de noir e até remete ao pulp, sendo uma produção que atende a todos os requisitos que os aficionados pelo gênero - esse combo “detetive, policial, thriller, espionagem, noir, mulheres fatais, assassinos misteriosos”, e a contar com cenas de “tirar o fôlego”.

Outra coisa sobre o filme é que I, The Jury é a segunda adaptação cinematográfica para a obra literária de mesmo título, escrita por Mickey Spillane. Antes da versão protagonizada por Assante, a aventura mais famosa do detetive Hammer já havia sido levada às telas na produção hollywoodiana, também de mesmo título, dirigida pelo roteirista e diretor ocasional Harry Essex, e lançada em 1953.

I, The Jury é uma história bem clássica, e de certa forma foi levada às telas numa edição irretocável. Assante encarna com maestria o detetive Hammer que, à moda clássica, possui moral duvidosa, modos truculento, e até se perde em algumas “homices” cansativas,  mas como se enrosca numa teia armações que não deixam o espectador com outra opção além de torcer pela Justiça, ele tem nossa da piedade e consentimento para explodir tudo que for possível pelo caminho. E é isso que ele faz, e é ótimo!



Titulo original: I, The Jury País: Estados Unidos Ano: 1982 Direção: Richard T. Heffron Elenco: Armand Assante, Barbara Carrera, Laurene Landon, Alan King, Geofrey Lewis



sábado, 13 de junho de 2026

Vírus (John Bruno, 1999): nostalgia noventista e um dos mais legais do gênero "monstro".


Fiquei meio impressionado com uma entrevista que vi com a Jamie Lee Curtis em que ela afirma que Vírus foi o pior filme em que já trabalhou. Não conclui a filmografia dela e nem pretendo, mas a julgar enquanto filme de horror/sci-fi, Vírus é um dos exemplares mais interessantes daqueles idos de 1999, época de transição tecnológica, mas que já tinha em sua pauta temas como inteligência artificial e robótica, ficando o filme num meio termo entre o cyberpunk oitentista e algumas possibilidades que considero bem atuais. 

Na história, uma equipe de transporte de carga marítima encontra uma grande embarcação abandonada. Após ficarem à deriva no seu próprio barco, que está em processo de naufrágio em meio a um tufão, a equipe invade a tal embarcação, que se descobre ser destinada à pesquisa científica, visando um possível resgate. 


O que eles não contavam era que encontrariam uma tripulante viva enquanto todos os outros, centenas deles, foram mortos por uma forma de vida extraterrestre que parasita tecnologia e a usa para destruir os humanos. Estes seres consideram os humanos uma espécie parecida com os vírus - se espalham e destroem as espécies dominantes, e seu objetivo é destruí-los. 

Com todo um jeitão de filme B, Vírus descamba para um filme de monstro (tecnológico, à semelhança dos Borgs de Star Trek), sendo comparável, e até melhor, com outras boas produções medianas do período, como o divertido Tentáculos e o sedutor e arrepiante Navio Fantasma. 

Dirigido por John Bruno, figura tarimbada em efeitos visuais e diretor do classudo Heavy Metal - Mundo em Fantasia (1981), Vírus tem um visual muito maneiro, e ainda que não tenha se tornado um clássico reconhecido fora da bolha, não faz feio ante sua proposta. Muitas cenas de ação frenética, violência, além de um cast de atores conhecidos, seja em fase madura ou início de carreira. Uma boa pedida pra quem busca uma diversão sem muita densidade, mas com um combo de ideias legais e boas referências.   






Titulo original: Virus
País: Estados Unidos
Ano: 1999
Direção: John Bruno
Elenco: Jamie Lee Curtis, Donald Sutherland, William Baldwin, Joanna Pacula, cliff Curtis

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Seven - Os Sete Crimes Capitais (David Fincher, 1995): foi melhor nos anos 90.

Vi pela primeira vez recentemente o filme Seven - Os Sete Crimes Capitais, do David Fincher, diretor que nunca fui exatamente com a cara e não sei muito bem por quê. Talvez por tudo nos filmes dele partir do ponto de vista de um macho, na acepção mais sacal da palavra (e do gênero). Talvez pelo ritmo das narrativas, igualmente sacais, igual os machos que ele descreve. 

Mas enfim, o filme é algo que seria considerado “noir” há 80 anos atrás, e ainda é, mas com algumas surpresas que, pra quem olha de 2026, não surpreende tanto assim. Justiça seja feita, aqui um salto daquilo que até então se propunha ser um vilão no cinema  - e falo aqui de um cinema comercial. Parece que essa foi a primeira vez, ou uma das primeiras, que se inseriu um vilão “pure evil” em cena, capaz de encaminhar tragédias e atrocidades ainda piores contra seus protagonistas, e não estou aqui falando de pura violência. Vale lembrar que o malzão encarnado por Javier Barden em Onde os Fracos Não Tem Vez só estreou na telona pelo menos dez anos depois. 

No mais, é um filme de detetive bem roteirizado, que peca pelo ritmo lento e algumas bobagens desnecessárias em torno do trio principal de personagens (um relacionamento chatíssimo, o deles três).


Há muito brilhantismo em outros momentos, como na principal  cena de perseguição entre o personagem de Brad Pitt e o assassino, e a cena final, onde o clima denso ensaiado durante todo o longa (que de denso só apresentou a fotografia meio escurecida e “suja”) se instala pra valer no cenário mais improvável pra um clímax: um deserto sob um sol escaldante. É uma boa sequencia e que vale o filme. Deve ter sido arrepiante nos anos 90. Fica a dica!




Titulo original: Se7en
País: Estados Unidos
Ano: 1995
Direção: David Fincher
Elenco: Morgan Freeman, Brad Pitt, Kevin Spacey

The Love-Ins (Arthur Dreifuss, 1967): movimento hippie embalado para consumo.

Mais um exemplar da “hippie exploitation” que tomou conta da California em fins da década de 1960 e da minha TV nos últimos dias, The Love-I...