sábado, 4 de julho de 2026

The Love-Ins (Arthur Dreifuss, 1967): movimento hippie embalado para consumo.

Mais um exemplar da “hippie exploitation” que tomou conta da California em fins da década de 1960 e da minha TV nos últimos dias, The Love-Ins (Loucos Sonhos Dourados, segundo o IMDB) é uma “encenação” (pois plástica) do frisson hippie e de seus temas mais caros, especialmente consumo de drogas e os ideais libertários vivenciados pelos núcleo principal de personagens.

Enquanto o objetivo é (aparentemente) representar um movimento, que é o dito movimento hippie no local  em que ele se materializou e expandiu, a história do professor de Filosofia, Barnett, personagem de Richard Todd amplamente inspirada na figura de Timothy Leary,  que se torna líder de uma seita “pro-acid” sediada nos entornos do cruzamento das ruas Haight e Ashbury, em San Francisco, soa panfletária demais, especialmente quando se acomoda em longas cenas apenas mostrando o cotidiano da comunidade, não indo muito além dos sinais da época (LSD, liberdade, amor livre, etc).

Agora enquanto filme, trata-se de uma produção mediana que poderia até se enquadrar como thriller, mas um thriller muito fraco. Não sei qual é a do diretor Arthur Dreifuss, mas Love-Ins é uma das marcas finais de sua carreira, e período em que ele dedicou a esse gênero que o Wikipedia classifica como “youth culture” e filmes exploitation.

Aqui, a ideia foca na figura do líder carismático que começa a ser embebido pelo poder concedido pelos “súditos” - no caso, uma comunidade inteira de hippies em seu local de nascedouro doida por validação dos seus ideais. Os embates culturais também são frequentes e rendem bons momentos dramáticos (se você é jovem). Apesar de ser muito didático sobre a cultura hippie, a narrativa ainda segue um crescendo bem construído, que culmina num ápice trágico e esperado, cumprindo seu papel.

Apesar da plasticidade geral, das referências óbvias (até para a época - tomar LSD e viajar em Alice no País das Maravilhas?!) e de ser um filme datado, e até mais conservador do que aparenta, e mal cumpre seu papel “documental” ao registrar vários movimentos menores de uma cultura, pois o fez a partir do olhar do mainstream. É tendencioso nesse sentido, e fraco enquanto representação desse momento contracultural.




Titulo original: The Love-Ins
País: Estados Unidos
Ano: 1967
Direção: Arthur Dreifuss
Elenco: Richard Todd, James MacArthur, Susan Oliver, Mark Goddard

quinta-feira, 2 de julho de 2026

More (Barbet Schroeder, 1969): a gente sempre quer mais.

Um dos exemplares mais representativos do “cinema hippie”, o alemão More já chama atenção pela trilha sonora do Pink Floyd, composta com exclusividade. O filme, no entanto, tem pouco da paz e amor do movimento, mas se alinha bem à psicodelia "torta" do Floyd, ressaltando bem os aspectos mais sombrios da  nossa humanidade materialista sempre ansiosa por ~ more, hehehe.

Dirigido por Barbet Schroeder, a obra narra as desventuras e derrocada de um casal que acaba de se conhecer em uma trip para Ibiza. Lá, o rapaz descobre que a moça é viciada em heroína, e embarca de coração na experiência que, como é de se esperar, resulta em tragédia. O romance entre os dois é outro ponto de destaque, onde o amor livre pregado pelo estilo de vida de então fica só no discurso, e o que sobra é um relacionamento abusivo temperado com drogas pesadas demais para captar a violência da realidade. 



Apesar de vir na esteira de outros produtos similares do período, no qual Easy Rider é o maior expoente, o caráter sombrio de More o destaca entre tantos pela temática pesada e seu desenrolar, que o alinha aos novos trabalhos de então, classificados como “Nova Hollywood”. Estrelado pelo charmosíssimo Klaus Grünberg, é um filme para curtidores. Pesado, e até linear, mas cujo conteúdo não vai fazer sentido para todos.





Titulo original: More País: Alemanha Ano: 1969 Direção: Barbet Schroeder
Elenco: Mimsy Farmer, Klaus Grünberg, Heinz Engelmann, Michel Chanderli

The Love-Ins (Arthur Dreifuss, 1967): movimento hippie embalado para consumo.

Mais um exemplar da “hippie exploitation” que tomou conta da California em fins da década de 1960 e da minha TV nos últimos dias, The Love-I...