Vi pela primeira vez recentemente o filme Seven - Os Sete Crimes Capitais, do David Fincher, diretor que nunca fui exatamente com a cara e não sei muito bem por quê. Talvez por tudo nos filmes dele partir do ponto de vista de um macho, na acepção mais sacal da palavra (e do gênero). Talvez pelo ritmo das narrativas, igualmente sacais, igual os machos que ele descreve.
Mas enfim, o filme é algo que seria considerado “noir” há 80 anos atrás, e ainda é, mas com algumas surpresas que, pra quem olha de 2026, não surpreende tanto assim. Justiça seja feita, aqui um salto daquilo que até então se propunha ser um vilão no cinema - e falo aqui de um cinema comercial. Parece que essa foi a primeira vez, ou uma das primeiras, que se inseriu um vilão “pure evil” em cena, capaz de encaminhar tragédias e atrocidades ainda piores contra seus protagonistas, e não estou aqui falando de pura violência. Vale lembrar que o malzão encarnado por Javier Barden em Onde os Fracos Não Tem Vez só estreou na telona pelo menos dez anos depois.
No mais, é um filme de detetive bem roteirizado, que peca pelo ritmo lento e algumas bobagens desnecessárias em torno do trio principal de personagens (um relacionamento chatíssimo, o deles três).
Há muito brilhantismo em outros momentos, como na principal cena de perseguição entre o personagem de Brad Pitt e o assassino, e a cena final, onde o clima denso ensaiado durante todo o longa (que de denso só apresentou a fotografia meio escurecida e “suja”) se instala pra valer no cenário mais improvável pra um clímax: um deserto sob um sol escaldante. É uma boa sequencia e que vale o filme. Deve ter sido arrepiante nos anos 90. Fica a dica!




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