Já esse parece ser um clássico! Mais um filme da Shaw Brothers, e até onde me consta, um dos primeiros, ou o primeiro, a abordar a rotina de treinamento dos monges do Templo Shaolin, algo que sabia muito pouco até então.
O filme foi lançado em 1978, e conta a história de San Te, personagem lendário, exímio artista marcial cujas habilidades foram treinadas no monastério Shaolin. San Te se refugiou entre os monges do templo a fim de treinar a arte marcial para vingar sua família e amigos que foram mortos pelo exército Manchu. San Te, então, tem que passar por 35 câmaras e aprender todas as técnicas marciais para desenvolver seu kung fu e ser reconhecido e aceito como um dos monges Shaolin.
O filme segue a lógica das narrativas de superação, com o noviço ultrapassando desafios cada vez mais difíceis e conquistando a confiança dos monges anciãos. As cenas de artes marciais, como sempre, são bem desenhadas, e a narrativa nos prende e faz vibrar junto a cada vitória de San Te. O novato, entretanto, vem de um mundo violento e injusto, e chega com ideais de vingança, que os anos de treinamento e o refino da consciência tornam em ideais libertários, o que gera conflito em um contexto onde a palavra que vale é o respeito e manutenção da tradição e da ordem.
San Te tenta quebrar esse paradigma ao propor a criação de uma nova câmara de treinamento no templo, a Câmara 36, onde poderá ministrar os principios das artes marciais para a população em geral. Uma ideia inovadora, e até rebelde, que ressalta um olhar até político acerca da espiritualidade, constantemente tratada como algo a parte do mundo "real" pelas instituições e indivíduos mais ortodoxos.
Olhando por esse viés, o que parece ser um filme datado e direcionado a um público muito específico traz uma importante reflexão sobre os dias de hoje, onde a espiritualidade é, não apenas distorcida através de alegorias pop, como é convertida em alienação egoísta e usada para justificar a não participação das pessoas nos grandes problemas que a sociedade atravessa - problema milenar que tem origem na nossa conduta individual.
Achei filmão, e pretendo (se valer a pena) falar sobre as duas continuações. Recomendo! E tá no Netflix!
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