sexta-feira, 29 de maio de 2020

Treme (1ª temporada, 2010)


Em 2005 o furacão Katrina, o terceiro mais devastador a passar pelos Estados Unidos desde 1900, deixou 1.800 mortos ao longo de seu trajeto, além de causar um prejuízo de U$ 108 bilhões à economia do país. A passagem da tempestade deixou marcas profundas na cidade de New Orleans, no estado da Louisiana, marcas que ainda eram visíveis mesmo dez anos após a tragédia. A série Treme, lançada pelo HBO em 2010, conta a história dos moradores de Tremé, uma vizinhança de New Orleans cinco meses após o evento, que transformou a vida de todos. 

Essa é uma daquelas séries aclamadas da HBO. Aqueles dramas longos, delicados, profundos, e tristes, mas que mostra como uma cultura se mantém erguida, mesmo com todas as condições forçando contra. 

O drama acompanha alguns dos ilustres moradores de Tremé, e suas tentativas, cheia de percalços, de tocar a vida após a passagem do Katrina. Uns estão endividados, outros perderam suas casas, outros ainda estão a procura de parentes desaparecidos na tempestade, outros indignados com a falta de apoio efetivo por parte do Governo, outros, ainda, estao fazendo política com a tragédia, mas todos estão tentando se manter fieis aos seus sonhos, sua cultura, e, principalmente, não cair. Não da pra ficar comentando os detalhes... não dá pra prever o que acontece no cotidiano dessas pessoas, apenas admirá-las pela força e resiliência. 

A estrutura ds episódios conta com muitas cenas curtas protagonizadas por cada um dos interessantes personagens centrais, que aos poucos, ao ser visto como um todo, de forma distanciada, contam sua história. Esse modelo exige muitas cenas ao longo de um episódio de 50 minutos, o que dá a sensação de eles serem maiores do que realmente são. Mas recomendo paciência e se deixar levar pelos personagens nesse passeio pela cultura local, pelas festas, pela música, pelas comidas, cheiros, cores, e pelos sorrisos e pela fé, que mesmo nos piores cenários, não saem do coração de cada um ali.


Trailer:

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Jefferson Airplane - Long John Silver (1972)


Nossa, ta sendo uma experiência atrás da outra reouvir discos antigos com o olhar de hoje. Escolhi dessa vez o Long John Silver, o último disco do Jefferson Airplane, revoltadíssimo e de saco cheio. Martin Balin já saiu fora do grupo, pois #semtempoirmão pra canções de amor aqui. As letras ficaram a cargo, majoritariamente, do Paul Kantner e da Grace Slick, mas todos dão seu gás aqui, e o resultado não foi outro: é tiro pra todo mundo!

Os viajantes do Airplane resolveram cutucar todas as instituições possíveis nesse disco: do Estado à família, passando pela igreja, os amigos, e até os revolucionários modistas. As ironia é a "liga" das composições, e as coisas vão tão mal (em termos de planeta) que nem a liberdade aqui é vista como um fim benéfico ou ideal nesse momento. Inclusive, era a ideia distorcida de liberdade, discurso do liberal com base no medo da perda da tão preciosa individualidade (como se a tivéssemos), que provocava e ainda provoca todos os conflitos, e crimes né, sendo mais direto, realizados pelos EUA.

Easter é a música mais provocadora e não poupa palavrões pra adjetivar os cristãos, pregadores da violência sob a tutela de Deus. The Son of Jesus também segue essa linha, chamando atenção pras consequencias do fanatismo. Aerie, Long John Silver e Trial By Fire falam de liberdade individual e de sua impossibilidade no mundo movido pelo medo. Você não pode ser livre sem carregar um rifle, diz se em Aerie em tal momento. 

Eat Starch Mom é um trator anti alienação, que não deixa barato nem pros "vegetable lovers", talvez referência aos bichos-grilo/hippies e variantes, tribo da qual o Airplane era ídolo e ajudou, inclusive, a dar visibilidade, com as ideias de paz e amor do começo da carreira. Mas o mundo de 1970 era feio, e estava cada vez mais difícil ser amoroso com próximo, principalmente quando você é natural justamente do país inflacionador das chagas das humanidade (os EUA, no caso). Entendo muito esse estado de espírito....

Quanto ao som, a banda já havia se afastado bastante do folk rock básico dos dois primeiros discos, das experimentações do terceiro, e do mergulho interior proposto (sem querer) pelo quarto. Aqui, o Airplane continua passando seu recado como vinha fazendo desde Volunteers, porem de forma mais explícita, sobrevoando os  noticiários e à realidade política e social de então, e dando seu pitaco a seu estilo. E para isso, direcionam bem sua munição, dando inclusive nome aos bois, alguns que, inclusive, já se foram há muito tempo, olhando aqui de 2020 - detalhe que pode tornar uma música ou outra datada demais.

O som é encorpado, roqueiro, gordo, a aquisição do violino rocker do Papa John Creach deu mais amplidão à trajetória expansiva desse avião, que a essa altura soava como uma locomotiva raivosa, aquela turbulência antes do pouso forçado. 

Essa "virada crítica" da banda já vinha acontecendo desde 1968. Talvez os eventos daquele ano, associado ao início de uma maturidade por parte dos integrantes, tenham resultado nisso. Volunteers já tinha essa pegada, assim como Bark. Fora da marca JA, os temas políticos já vinham sendo trabalhados no projeto de Paul Kantner, lançado em 1970, e que seria o embrião do Jefferson Starship. Foi com o turbulento Long John Silver que o avião finalmente pousou, e diferente do que dizem por aí, trata-se de um disco muito bom, acima da média, eu diria. Recomendo demais.


Eat Starch Mom, yeah!

terça-feira, 26 de maio de 2020

Perfect Blue (1997)


Talvez a maior curiosidade acerca do Perfect Blue seja a influência óbvia que a animação exerceu sobre alguns filmes do diretor Darren Aronofsky, como Cisne Negro (2010) e Requiém para um Sonho (2000), isso só pra citar os links mais descarados. A confusão mental mostrada aqui talvez pioneiramente (nesse formato) vai além, servindo de base pra uma gama de sucessos cult do cinema norte americano da virada do século XX para o XXI, como os queridinhos Clube da Luta (1999), Cidade dos Sonhos (2001), Ilha do Medo (2010) e, forçando aqui um pouco mais, até o thriller Amnésia (2000). Reparem que é só filmaço, de grandes diretores!

Em Perfect Blue, o mundo da celebridade e a vaidade que o circunda colapsa, de alguma forma, a mente de todos que nele se veem presos dirata ou indiretamente. Em algumas pessoas mais, outras menos, o que vemos aqui é o uso do corpo em função da indústria do entretenimento e a ilusão que este cria, não só na cabeça de quem os consome, mas dos próprios "operários" da indústria cultural.

A animação é sombria, com toques sinistros e vai se tornando caótica a medida que Mime, a protagonista, vê sua vida entrar em um espiral de paranoias, envolvendo um fanático que emula com perfeição sua personalidade em um blog. Realidade e fantasia aqui se misturam, e muito mais que nos filmes que por este foram inspirados, nada é o que parece ser. Recomendadaço!


Filme completo/Youtube:

Ira! - Mudança de Comportamento (1985)


Quem diria que o Mudança de Comportamento do Ira! seria o disco que eu me identificaria nesse 2020. E olha que só cheguei a ele por causa de um sonho que tive essa madrugada, em que o momento mais feliz foi um que interpretei comoo resgate da minha autoestima rs, enquanto a ação se desenvolvia, rolava a música Nucleo Base e eu cantava ela feliz andando na rua. Não obstante, quantos alívios eu senti ouvindo esse disco... é meus caros, o incosciente fala!

Agora, alívios assim né... não é algo que eu concorde, ou sequer goste, mas que eu também sinto, e é bom ouvir isso de alguém. Por isso a gente gosta de arte né. O Mudança de Comportamento é o primeiro disco do Ira!, de 1985. Eles são paulistas, acredito que de classe média alta/baixa, tem como contexto a transição do regime militar para a democracia em desenvolvimento, e o sentimento de confusão e falta de foco da vida urbana permeia toodas as letras da estreia desses caras. Eles estavam irados!

A rebeldia intrínseca ao jovem, ou a pulsão de vida, da experiência, do conhecer e do se arriscar está presente em todas as letras, das mais sentimentais às mais revoltadas, e a ira que motiva se espraia pra todos os lados, seja pra cima do governo, dos pais, e até dos amigos. Esse disco desenha bem aquele momento clássico em que a vida nos impõe uma filtragem do que é bom (não exatamente prazeroso) e saudável, literalmente uma mudança de comportamento, que definirá nossa sanidade ou não dentro do sistema caótico.

Já a música em si é um barato. Aquele rock mod pulsante, bem à moda dos ingleses. Não tanto Small Faces e Beatles, mas mais à maneira do Jam, com baixos pulsantes e baterias galopantes, vocal doce  e certeiro e letras que refletem as transformações dos jovens adultos moradores das grandes cidades. Um barato! Vou até ouvir mais uma vez.....


Ira - O dia, a semana, o mês: essa música foi lançada originalmente no álbum Clandestino de 1990, mas ela é original dessa época e foi lançada no remaster do Mudança de Comportamento de 2000. escolhi ela pra deixar aqui porque foi a que mais me ligou rsss

segunda-feira, 25 de maio de 2020

O Pecado (Al Haram,1965)


Al Haram, ou The Sin, ou, traduzindo, O Pecado (esse título em português é tradução minha, já que não achei versão brasileira), é o primeiro filme egípcio que vi (vi o Praça Tahir também, mas esse é documentário). Conheço zero coisas do cinema de lá, então tudo que vou dizer aqui é basicamente o que se verá em qualquer pesquisa básica por aí.

É um drama clássico, está entre os dez melhores filmes egípicios segundo sei lá quem, mas o diretor, Henry Barakat, parece ser proeminente entre os cineastas egípicios, tendo dezenas de produções realizadas entre os anos 40 e os anos 80. Vou assistir outras para poder linkar ele ali na lista de diretores. (risos)

Al Haram é um drama universal, que ganha peso por se passar numa sociedade patriarcalista/religiosa e meio fanática. Ao ver o filme, entretanto e com tristeza, não vi muita diferença entre o que acontece na trama e casos que vemos nos jornais diariamente aqui no Brasil de 2020. É um filme triste e muito real, cuja principal reflexão que fiz quando acabei de ver foi pensar que o mundo continua a mesma merda que sempre foi, na importa quando ou onde. Se exalta a barbaridade das culturas arábicas mas na realidade não somos tão diferentes. Nunca fomos, e nunca seremos, enquanto houver medo e poder rivalizando com a consciência e a solidariedade. 

Um coisa interessante, pra mim, nesse filme, e em qualquer hoe que se passe em culturas diferentes (genuinamento, e não nas reproduções feitas pelo cinema estadunidense) é observar paisagens, comportamentos, roupas, etc, e imergir nesse mundo de fato. Apesar do apelo de 'livro de história', observar os detalhes da vida cotidiana nos aproxima ao nos mostrar que os dramas deles não são diferentes dos nossos, e que em todas as épocas, em todos os lugares, sempre vai haver gente que pensa diferente do que esta ali posto culturalmente. Nossas associações e submisões acabam sendo mais por motivos de sobrevivência e medo do que por sentimento de Verdade. 

domingo, 24 de maio de 2020

Lacrimosa - Angst (1991)


Angústia é o sentimento que define esse álbum. Outro título não o definiria tão bem. 
Angst é o primeiro disco do, ainda one-man-band, Lacrimosa. Seu idealizador, o cantor, compositor, e multiinstrumentista Tilo Wolf, fez tudo nessa estreia, rechada de sentimentos angustiantes e desesperadores da primeira a última nota. Com letras que "poemizam"sofrimentos profundos provocados por sentimentos como angústia, ansiedade, solidão, desespero, e o medo ante a iminência da morte, o disco marca o estilo gótico, de forma a tornar o Lacrimosa uma referência.

O som passeia entre o darkwave oitentista, o rock industrial e eletrônico, e até música medieval e sacra com primazia. Tilo Wolf se mostraria, com o passar dos anos, um dos compositores/arranjadores/letristas mais significativos do rock, ainda que o público metal/rocker em geral torça o nariz por preconceito. O som da banda, a partir daqui, iria sofrer diversas mutações, mas sempre mantendo o caráter sombrio e absurdamente romântico/goethiano nas letras. 

Não é um disco pra se falar muito sobre. A qualidade é evidente, e  ficar analisando apontando esse ou aquele ponto em obras como essa não faz sentido. Não é um disco pop que você escolhe as músicas que mais gosta e joga numa playlist (apesar de haver quem o faça). É um álbum pra ser ouvido como quem vê um filme, de preferência seguindo as letras, ser imerso na atmosfera proposta e vivenciar a experiência. Uma taça de vinho faz um bom acompanhamento.


Álbum completo/Youtube:

Fear The Walking Dead (5ª temporada, 2019)

save your horses!
O momento de transição proposto na quarta temporada de FTWD segue durante a primeira metade da quinta. Os sobreviventes se firmam como grupo, e buscam algum motivo pra continuar sobrevivendo. Como a realidade não aponta possibilidades, a alternativa, apresentada por Morgan (Lennie James) que assume a liderança total a essa altura, é ajudar as pessoas  - aquele conceito de "a união faz a força", que é bem verdadeiro. É o sentimento de solidariedade que ligas as pessoas em sociedade, e as mantém unidas em direção a um fim comum, que mesmo antes do apocalipse zumbi, sempre foi a sobrevivência do grupo. 

A ideia paz e amor do Morgan é aderida pelo grupo, que ao longo da temporada, vai crescendo, agregando novas pessoas, novos personagens recorrentes, até nosso pequeno e disperso núcleo se tornar um grande comboio nômade, que tem como comissão de frente nossos personagens centrais, seguindo em busca de um lugar para se assentar.

A missão da primeira parte da temporada é salvar um grupo de crianças que estão numa situação complicada, em um lugar distante e precisam ser resgatados. O tom de aventura de sessão da tarde domina essa primeira metade do programa, e fomenta a liga entre os personagens centrais, que até então estavam nessa de "será que é uma boa ideia isso de ajudar os outros". É um momento leve, até pra relaxar as tensões e desanuviar o clima pesadíssimo da temporada anterior. 

Já a segunda metade da temporada é onde um novo momento se inicia, momento que definirá toda a trama da sexta temporada, e talvez vá além. Trata-se do aparecimento de um grupo de auto declarados "pioneiros", cuja viagem (porque é uma viagem) é repovoar a terra, ao estilo dos colonizadores dos Estados Unidos. O grupo é liderado  por Virginia (Colby Minifie), uma cowgirl autoritária que planeja construir uma cidade, aos moldes de Woodbury, do Governador da série The Walking Dead original.

Ela automaticamente se torna uma vilã que pretende destruir os planos do comboio nômade de Morgan, visto que eles propõem um estilo de vida livre dentro do apocalipse, e Virginia busca, literalmente, comandar, absorvendo todas as riquezas naturais necessárias para que seu plano funcione. E é aqui que se inicia uma guerra por petróleo.

A essa altura do campeonato, FTWD já está mais interessante do que até então. O clima western dominou a trama, o que é perfeitamente natural, se formos parar pra analisar dentro do contexto dos Estados Unidos. A série está num momento onde houve um salto no tempo, o apocalipse já segue adiantado. Os combustíveis dos carros abandonados pelas pessoas estão cada vez mais raros, com a locomoção por grandes distâncias cada vez mais dificultada (já que os recursos dos arredores tendem a acabar). Some-se a isso o fato de o núcleo principal não conseguir se assentar para desenvolver suas culturas, por culpa de Virginia, que também atrapalhou o esquema de produção de combustível com seu exército de cowboys, deixando nossos herois numa sinuca que encerra a temporada. 

no apocalipse, se junte a alguém que saiba fazer cerveja
É interessante perceber como, cada vez mais, o apocalipse leva as pessoas a retornarem as condições do passado, até mesmo pré-historico, esticando um pouco a baladeira. Nesse caso específico, a briga pelos recursos naturais, escassos, está conduzindo a um esquema de dominação imposto por quem dispõe da força das armas, bem parecido com o que acontecia durante a marcha para o oeste, na época do oeste selvagem nos EUA. Daí esses autoritários, sulistas, certamente, se autodenominarem "pioneiros". 

Sobre os personagens, também seguem em transição, mas sem muitas questões. Alícia (Alycia Debnan-Carey) se destaca por passar por um "momento". Ela ainda lida com a nova responsabilidade de estar sozinha no mundo, mas está encontrando um porto seguro na filosofia de Morgan, e se tornando uma espécie de discípula dele. Já Morgan tem seus próprios conflitos, envolvendo sua vocação para líder e a eficácia de seus julgamentos.

Luciana (Danay Garcia) volta a crescer nessa temporada, exercendo papel importante nos dois momentos da temporada. Seu futuro se torna incerto nos últimos episódios, mas, bom ou ruim, acredito que ela ainda vai ser de grande importância para o grupo no retorno da série logo mais. Victor Strand (Colman Domingo) também passou por transformações. De trambiqueiro ególatra pra um pessimista que só se associa por aos outros por medo de ficar sozinho. Ele, só agora, parece realmente mudar seu sentimento em relação ao presente, muito inflenciado pelo espírito do grupo. Ah, temos também o retorno de Daniel Salazar (Rubén Blades), dessa vez recuperado das amarguras dos infortúnios colecionados ao longo da série, sendo uma grande aquisição ao grupo. A cena do reencontro entre ele e Alicia, pra quem sofreu junto com ela a quarta temporada inteira, foi muito doce.

Ao contrário do que os fãs apegados dizem, a série só melhora, apesar das "serísses". Perceber essas sutilezas, e não ficar viajando só em cenas de ação, torna tudo muito interessante. 

Trailer: 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Briarpatch (1ª temporada, 2019)

Não há muito "óóóó, incrível" a respeito dessa série. É uma trama policial, de investigação, e só resolvi falar dela aqui porque gostei bastante. Tem estilo, é classuda, um bom entretenimento, leve, e que não deixa de retratar algo dos dias de hoje.
A trama conta a história da assessora (de político) Allegra Dill (Rosario Dawson), que retorna para sua cidade natal (San Bonifacio, Texas) depois de muitos anos para enterrar sua irmã, Felicity, policial assassinada em uma explosão. Allegra inicia uma investigação por conta própria, junto ao advogado e amigo da irmã, AD Singe (Edi Gathegi), ed escobre uma série de tramas e corrupção que percorre todos os becos e estruturas daquela cidade semi esquecida pelo mundo. 
O que mais gostei aqui foi o clima western moderno, a la Justified (que também qquero falar aqui um dia), porém de forma mais tarantinesca. Essa combinação rende uma ótima diversão. Entretem com alguma qualidade. A trilha sonora também remete aos filmes do Tarantino, com clássicos do folk, country, rock, pop, soul, e outros sons maravilhosos da época de ouro da música popular dos EUA.
Sobre a trama, é aquela "coisa": investigação intercalada com dramas pessoais, enfrentamento e superação de traumas do passado, mas também tiroteio, perseguição, paisagens desérticas, e um toque  (toques mesmo) de surrealismo, que nem sempre é necessário - mas gera uns efeitos visuais legais que não chegam a atrapalhar nada. Nada muito complexo, mas com umas reviravoltas legais.
Os personagens são interessantes e cativantes, dentro da suas respectivas lógicas. O tal do Gene Colder (Brian Geraghty) é uma das figuras mais detestáveis que vi em filmes/séries nos últimos tempos.
Interessante também ver a forma como o poder se entranha num organismo tornando toda uma cidade funcional a partir de uma rede de corrupção que envolve os mais diversos níveis da hierarquia social. Em San Bonifacio, ninguém é santo - nem a heroína da história, então não se iludam. O máximo que podemos esperar aqui é que alguns espíritos encontrem sua redenção antes de partir dessa pra melhor.
Soube que se trata de uma antologia (modelo prático de produzir séries, que não esgota os temas, e tá bem em moda desde o sucesso de American Horror Story, que também pretendo comentar aqui um dia), então podemos esperar uma nova temporada nesse mesmo nível.
É uma boa dica pra tardes vazias de quarentena. 


Trailer: 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

O Perigoso Adeus (The Long Goodbye, 1973)

The Long Goodbye é um filme noir estilo clássico. Um detetive jogado de paraquedas numa trama envolvendo um suicídio, dívidas, apostas, e uma femme fatale, sexy e suspeita, que o introduz nesse labirinto espinhento de corrupção ao qual nosso heroi até então nem suspeitava existir.

Herói sim, pois ele é um cara gente boa. Um fracassado, como todos os detetives particulares desse tipo de trama. A cena inical em que ele sai de casa as 3h da manhã pra comprar a comida "especial' do gato e ainda pagar lanche pras vizinhas groupies, turminha paz e amor das mais superficiais, mostra a forma como ele é acostumado a ser tratado - uma "loser energy" envolve o personagem, como é de ser. Mas esses dias estao chegando ao fim hehe.

Não há muito o que falar sobre esse filme sem dar spoiler. O próprio enredo já denunciaria os caminhos que a trama segue, e é muito interessante seguir essa trilha cheia de curvas. Nosso detetive, por mais 'loser'que seja, não se deixa enganar em nenhum momento a respeito da morte do amigo (objeto de sua investigação). A maneira como as pistas chegam até ele, e mesmo as cenas de maior ação, são muito palpáveis, muito reais, e o desfecho é totalmente convincente - uma pequena catarse, eu diria.

Acima de todo o clichê de romance de banca de revista, a trama é ambígua. Pode ser sobre amizade e dignidade, e como tal hora podemos cansar de ser usados e prejudicados, principalmente pelos nossos amigos, mas também, e ainda dentro desses termos, pode ser uma trama sobre vingança. Não fica claro em nenhum momento as motivações do nosso detetive, mas como em toda obra nesse estilo, as pistas vão aparecendo e se amarrando aos pés do investigador, tornando impossível não seguí-las. Quanto mais se vislumbra a verdade, mais se quer caminhar em direção a ela, e só ela liberta.


Trailer:

domingo, 17 de maio de 2020

The X-Files (1ª temporada, 1993)

Arquivo X (X-Files), assim como um monte de séries dos anos 90, sofre daquele mal maravilhoso (nesse caso) de excesso de episódios, entre os quais a trama central, aqui, a mitologia alienígena, se perde. 
Esse primeiro momento da série foca na contextualização do escritório dentro do FBI, a Polícia Federal dos EUA, a apresentação dos agentes, Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson), e outros personagens importantes e recorrentes.
Um deles é o Garganta Profunda (Jerry Hardin). Até o momento não se compreende bem o papel dele. É alguém do alto escalão do governo (ninguém sabe o quão alto) que vaza estrategicamente informações sobre as apreensões alienígenas realizadas pelo governo estadunidense desde os anos 40, fortalecendo ainda mais a crença em Mulder de que o governo esconde uma "verdade" sobre extraterrestres.
Ao longo da temporada, fica claro que o intuito do Garganta Profunda não é ajudar Mulder, mas controlá-lo, dando a ele apenas migalhas pra satisfazer sua vontade de "acreditar" e, de quebra, usá-lo pra um ou outro serviço sujo. 
Outros personagens recorrentes que são apresentados são os Pistoleiros Solitários, trio composto por John Fitzgerald Byers (Bruce Harwood), Richard Langly (Dean Haglund) e Melvin Frohike (Tom Braidwood); o 'diretor' Walter Skinner (Mitch Pileggi); e o Canceroso (William B. Davis), personagens que serão melhor desenvolvidos nas temporadas posteriores. 
O trabalho dos agentes do X-Files é muito importante. Ele além de percorrer casos que uma investigação formal não comporta, acaba por esbarrar nos segredos sujos das autoridades, segredos que podem por em risco a paz de nações. 
A série mostra de tudo ao longo dos episódios... humanos com habilidades físicas (a la X-Men), meninos lobo, fantasmas do espaço sideral, reencarnação, troca de corpos, pessoas com habilidades para manipular o fogo e a energia, seitas macabras, entre outras bizarrices. 
A temporada encerra com a confirmação (apenas visual, para desespero de Mulder) da realização de experiências visando a criação de híbridos entre alienígenas e humanos. Dana perde uma prova quente que passa por suas mãos para salvar Mulder, e os X-Files são ameaçados - o que vai acontecer muitas vezes ao longo da série.


Trailer: 

sábado, 16 de maio de 2020

Star Trek: DS9 (5ª temporada, 1996)

É guerra! A quinta temporada de Deep Space 9 tem um dos melhores encerramentos de temporada, com a invasão do Domínion e dos cardassianos e a tomada da estação espacial no fenomenal episódio A Call to Arms. 
Assim como todas as temporadas anteriores, o excesso de episódios e o ritmo e qualidade variável entre eles, torna difícil perceber a trama central com detalhes, pelo menos para mim. Mas há varios momentos marcantes nessa temporada
Para mim, o destaque é a disputa entre o comandante Benjamin Sisko (Avery Brooks) com os maquis. Nessa temporada, fica cristalino a disputa de poder entre Sisko e os rebeldes, mostrando que a raiva do comandante da DS9 não tem nada a ver com algum crime cometido pelos dissidentes.  A Federação não é santa, compreendemos muito bem a vibe imperialista por trás dos acordos políticos que se travam entre ela e os governos dos planetas, mas no caso, a disputa no caso entre Sisko e Michael Eddington (Kenneth Marshall) é puramente pessoal, pelo fato deste ter se rebelado em favor do seu povo "desonrando o uniforme" e trabalhado como espião maqui na DS9 sem que Sisko ou qualquer um da Frota Estelar suspeitasse de algo. Aquele papo de honra que não cola, principalmente quando a autoridade é a Federação, mas o desfecho dessa trama foi razoável. 
Enquanto isso, o Dominion está expandido sua influência pelo Quadrante Gama, se aliando a diversos povos, e passo seguinte parece ser absorver Bajor com a ajuda dos cardassianos. A trama de Gul Dukat (Marc Alaimo) e Kira Nerys (Nana Visitor) sofre uma reviravolta quando Dukat resolve aliar Cadássia ao Domínion visando ter seu poder restituído. 
Worf (Michael Dorn) e Jadzia Dax (Terry Farrel), Chief O'Brien (Colm Meaney) e Julien Bashir (Siddig El Fadil) seguem suas dinâmicas usuais com poucas novidades. A principal aqui é a descoberta de que Bashir teve seu cérebro modificado geneticamente (ou algo do gênero) na infância para se tornar mais inteligente. Esse é um melodrama familiar que se resolve em um episódio, mas cujas consequencias, pelo que compreendi, terão sua importância na temporada seguinte. 
Outros personagens ganham destaque nessa temporada. Jake Sisko (Cirroc Lofton) passa por diversas experiências fortes que impulsionam sua carreira como escritor. Nog (Aron Eisenberg) também cresce, ao retornar como cadete da Academia, sendo figura importante nos episódios finais da temporada. Rom (Max Grodénchik) também brilha nesses últimos espisódios, sendo crucial na estratégia de combate aos Jem'hadar e ao Dominion durante a tomada da DS9.
Odo (Rene Auberjonois) tem o arco mais deslocado. Talvez a antecipação de uma guerra provocada pelo seu povo o faça sentir se pouco a vontade ali. A declaração acidental de seus sentimentos por Kira também não ajudou a manter a dinâmica das temporadas anteriores. Mesmo nos episódios dedicados ao Quark (Armin Shimerman, cada dia mais sério e rabugento), ele pouco contagia. Garak (Andrew J. Robinson) estabelece cada vez mais uma relação de confiança com os membros da tripulação, sendo peça fundamental na resolução de algumas tramas.
Alguns episódios são mais fortes que outros, mas o clima geral é de preparação para um grande conflito. O episódio final encerra de forma magnifíca, como o prelúdio de uma mudança de tom que não irá se resolver bobamente. A próxima temporada promete (e espero que cumpra). 


Trailer:

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Blows Against The Empire (Paul Kantner & Jefferson Starship, 1970)

Nossa, levei pelo menos uns 12 anos pra conseguir ouvir esse disco. As vezes que tentei ouvir ele no passado, me soou completamente desconexo do Jefferson Airplane que eu tanto amava (mesmo ouvindo agora e ele me soando a cara dos últimos discos do JA, como o Bark e o Long John Silver).

Aqui o Paul Kantner encabeça um experimento conceitual, idealista como sempre, no qual desfere diversos "golpes contra o império" música após música, seja especulando sociedades ideais, seja buscando refúgio no amor familiar, ou mesmo gritando contra o passado e em favor do futuro progressista, tecnológico, que, àquela altura, talvez só fosse possível vislumbrar em um outro planeta.

Entre os destaques do disco, temos Mau Mau (Amerikon), um grito raivoso do Kantner contra o pensamento ultrapassado. Eu ouvindo aqui desse 2020 esquisitaço e desesperador postei imediatamente trechos da letra nas redes sociais, tamanha a atualidade de alguns trechos. Trata-se, antes, de uma celebração a contracultura e à passagem dos anos 60 para os 70, época de ruptura violenta  com o passado rumo ao estado atual de coisas (ok que às vezes parece que não mudou nada, mas seguimos resistindo, cada vez mais conscientes - ou pelo menos tendo isso como meta).

Let's go Together é um canto quase folk de adeus à velha America em direção à algum lugar utópico perfeito (a palavra "garden" é usada aqui pra fazer uma alusão, talvez, à ideia de paraíso bíblico). Pode ser a América do Sul (provavelmente eles acham que aqui é uma selva), ou um lugar onde pode se chegar a bordo de uma espaçonave.

O lado B, ou segunda metade do álbum, é preenchido por uma suíte composta por Sunrise/Hijack/Home/Have you seen the stars tonight/XM/Starship, uma mini ópera sci-fi que, pelo que entendi, narra o despertar de uma nova civilização.

Blows Against the Empire é uma curtição californiana, e que contou com a nata do rock de San Francisco. Além dos Airplaners estarem todos aqui (Paul Kantner, Grace Slick, Martin Balin, Jack Casady e Joey Covington), ainda há participação do David Freiberg, Jerry Garcia, Mickey Hart, David Crosby, Grahan Nash e mais um monte. Uma celebração hippie/futurista made in 1970. A nave Jefferson Starship partiria logo a seguir, mas não iria muito longe.



Paul Kantner & Jefferson Starship - Let's Go Together

terça-feira, 12 de maio de 2020

Intrusos (Intruders, 1992)

Esse é legal. É inspirado no livro "Intruders: The Incredible Visitations at Copley Woods" Budd Hopkins, e é, na verdade, uma minissérie de quatro horas de duração e reeditada como filme, lançado em 1992 (um ano depois estrearia o hoje saudoso Arquivo X).
Eu ainda não li o livro (mas já tá baixado ali no drive), então vou falar do filme. É daqueles filmes que considero "sérios" sobre abdução por alienígenas. Acompanha a história de duas mulheres, que não tem contato entre si durante todo o filme, mas que parecem sofre do mesmo, como é interpretado até então, distúrbio psicológico. A narrativa é contada a partir do ponto de vista do psicólogo das duas (coincidentemente, é o mesmo profissional), que mergulha no mundo dos abduzidos e tem contato com um universo que não consegue compreender, tampouco explicar. 
O filme conduz muito bem uma discussão em torno do conflito psicologia versus ufologia, ao considerar o desprezo com que os profissionais da ciência tratam o tema, e a solidão dos que sofrem com essa... condição. Diferentemente do que se imagina, os abduzidos são mostrados não como loucos, mas como pessoas capazes, profissionais de diversas áreas, e com muito mais sabedoria e humildade que muitos "doutores". Não há distinção de classe, gênero ou raça. O que os une é experiência, que cada um interpreta à sua maneira. Alguns acham que estão sendo usados como cobaia de laboratório, outros entendem que estão contribuindo com algo maior. 
Nem todo mundo vai gostar desse filme. Ele não tem cenas de ação nem sensacionalismos. Mas é um retrato da experiência psicológica dos contatados, e das tranformações pelas quais suas vidas passam devido às abduções.

Filme completo legendado no youtube: 

sábado, 9 de maio de 2020

The Walkind Dead (3ª temporada, 2012)

A terceira temporada de Walking Dead (2012 - 2013) é das boas. Mais pelo desenvolvimento da "mitologia" da série que pela ação, zumbi, tripas, etc. Os efeitos do apocalipse zumbi vem mudando cada vez mais os vivos, transformando esperança em desespero, instinto de sobrevivência em alimento.
Aqui, destaca-se a estreia do Governador (David Morrisey) na série, que lidera a cidade de Woodbury que vive, aparentemente, em paz, mas onde há pouca liberdade de ir e vir. A cidade vive uma liberdade vigiada, onde o tal governador exerce livremente o seu poder e dominação à sua maneira. Como não falta nada para a população em termos de alimento e segurança material, todos o apoiam e o veem como líder. 
Segue incompreenssível no decorrer da temporada o porque da rixa dele com o núcleo principal (Rick  Grimes (Andrew Lincoln) e o grupo, que se estabeleceram em uma prisão abandonada após a queda da fazenda de Hershel Greene (Scott Wilson)), pois não faz o menor sentido e eu não sei se fará em algum momento. 
Podemos fazer também uma analogia ao compararmos Woodbury com uma prisão, já que as pessoas ali só tem "meia" liberdade, enquanto o grupo de Rick, que está de fato vivendo em uma prisão, dispõem de muito mais liberdade e respeito entre si na vida cotidiana, com decisões tomadas de forma coletiva, e com todos trabalhando juntos.
No meu pensamento, o Governador é só mais um que não entendeu bem o apocalipse àquela altura, e que nada será como antes, e espera devotamente uma cura pra salvar os seus que foram zumbificados - o mesmo pensamento de muitas personagens que passam pela série. O apego, o medo e o rancor, entretanto, o convertem em um assassino. 
É um vilão que enfrenta o que todos ali enfrentam, mas sem a iluminação necessária pra continuar seguindo em frente. A eficiência da organização que ele construiu soa como sucesso, e ele se vai com tudo contra quem refutar sua autoridade e seu domínio, e é aqui que começamos a perceber quem são os verdadeiros vilões da série. Os zumbis são fichinha perto do que o que os vivos se tornam (ainda que isso já viesse ficando subentendido anteriormente por meio de personagens como o Shane Walsh (Jon Bernthal).
Sobre os personagens, o mais interessante nessa série, temos alguns arcos interessantes. Houve muitas perdas no grupo principal, além de uma dissidência. Andrea (Laurie Holden) teve o arco mais importante, porém chato, e cuja conclusão foi uma pena. Era uma boa personagem, que foi extremamente mal aproveitada devido o caráter emocional de suas ações. Nessa temporada, ela foi seduzida pelo conforto da cidade que o Governador comanda (e por ele também), demorando muito a entender onde estava se metendo. Isso custou muito a ela. 
O grupo sofreu algumas perdas em campo, o que mexeu muito com Rick. Sua liderança, imposta na temporada anterior, precisou ser cobrada nesta. Outros personagens tiveram um desenvolvimento interessante, como Carl Grimes (Chandler Riggs), cuja vida cobra um amadurecimento, ao qual ele responde de forma corajosa; Maggie Greene (Lauren Cohan), que ascende como uma das melhores soldados do grupo; e Carol Peletier (Melissa McBride), que se livra de vez da postura esposa e mãe submissa e assume sua independência. Ela dá um conselho que assusta ao sugerir uma forma de Andrea se livrar de um apuro (assusta por vir dela, hehe). Rick também estabelece, ainda mais, uma relação de confiança com Hershel, que se torna uma espécie de conselheiro, e Daryl Dixon (Norman Reedus), seu braço direito.
Mesmo com algumas "seriísses", como o retorno de personagens que já tínhamos esquecido e a demora em resolver um conflito ou outro, foi uma temporada melhor que anterior, que firmou a coesão do grupo, que se uniu ainda mais a partir das perdas. O acréscimo de Michonne (Danai Gurira) fez toda a diferença na batalha contra o Governador, e eu não faço a menor ideia do que virá a seguir.

TRAILER: 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Halloween III: A Noite das Bruxas (Halloween III, 1982)

Após a morte de Michael Myers no classicaço precursor slasher (parece tão errado ser fã desses filmes com a cabeça que tenho hoje) Halloween 2, de 1980, os produtores John Carpenter e Debra Hill, pensando em manter a franquia mas sem desrespeitar a história original, pensaram em lançar novos filmes com histórias independentes entre si. É nesse contexto que nasce o bonzão Halloween III, de 1982.
Acontece que o filme foi rejeitado pelos fãs da série, e continua sendo até hoje, por fugir completamente do contexto da família Strode. Eu mesmo rejeitei e assisti esse filme sem um pingo de vontade, ali pelos meus 16 anos, só pra completar a série. 
De toda forma, temos uma premissa que julgo inteligente, com ares de distopia religiosa, e com uma atmosfera até semelhante a dos filmes anteriores com o Myers. O caminho seguido aqui, entretanto, é diferente. 
Enquanto nos dois primeiros filmes Michael Myers perseguia e matava sem dar tempo de se pensar em porques, independente da ladainha do Dr. Loomis sobre o "pure evil", nesta terceira parte, o enredo gira em torno de uma estranha fábrica de máscaras, que prepara uma surpresa especial para quem usá-las na noite de Halloween. A trama segue uma linha investigativa até convincente e que prende a atenção, a despeito de algumas mortes e atuações nada convincentes (sério, jamais suspeitei que aqueles dois fossem formar um casal até eles se agarrarem sem mais nem menos - química zero).
A conclusão do filme, apesar de soar meio sci-fi de horror, não é totalmente absurda se observada a partir deste 2020 inacreditável, além de nos presentear com uma das melhores cenas finais dentre todos os filmes da série. O filme é redondo, e uma ótima diversão.
Como o resultado financeiro não foi o esperado, o filme fracassou, e a indústria tratou de tirar toda a dignidade daquela que poderia ser uma das séries mais interessantes do terror setentista/oitentista. 

Trailer: 

Super Fly (Gordon Parks Jr, 1972): a última dose é sempre a mais difícil.

Ícone da blaxploitation, Super Fly não vai muito longe em termos de história. Conta a história do traficante Youngblood Priest que está, dig...